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Dia de Clássico

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Eduardo Louro 26 Mai 13

Fui sempre um crítico de Jorge Jesus, o que nunca me impediu de lhe reconhecer muitos dos seus indiscutíveis méritos. Mas não é sobre os seus méritos e deméritos que hoje pretendo aqui discorrer, sobre isso já muito escrevi. De só saber de futebol, de que resulta nem de futebol saber, da (in)capacidade de comunicação, da gestão do plantel, da capacidade de valorizar de jogadores, mas também de desvalorizar, das apostas bem sucedidas, mas também das que não passam de teimosia, da falta de senso e de equilíbrio – mais do que de humildade - que acaba em arrogância…

É para dizer que, ao contrário da opinião dos meus colegas benfiquistas deste blogue, há muito que entendo que o seu contrato não deve ser renovado. Começo por dizer que, sendo incomum, não é absurdo que um treinador que ganha tão pouco como Jesus ganhou tenha contado, quatro anos depois, com um apoio tão esmagadoramente maioritário. Esse apoio justifica-se, antes de tudo, pela História recente, marcada pela hecatombe por que o clube passou nos consulados de Manuel Damásio e Vale e Azevedo, que hipotecou duas décadas da vida do Benfica. E, depois, porque foi Jesus que devolveu o bom futebol ao Benfica, e com ele a aproximação ao Porto e a capacidade de fazer sonhar os benfiquistas. A ilusão de que o sucesso está próximo, de que para o ano é que é, é maior que as desilusões destes últimos três anos, e por isso lhe perdoam os erros que estão por trás dos sucessivos inêxitos.

Estou em crer que a decisão da renovação de Jesus, se exclusivamente baseada em critérios de racionalidade, teria de passar pela resposta a uma questão central. Que é a de saber se o patamar que o futebol do Benfica atingiu com Jorge Jesus, o mesmo que o Porto há muito atingiu, é obra exclusiva de Jorge Jesus. Se tudo o que tem envolvido o futebol do Benfica está nas mãos do treinador ou se, pelo contrário, corresponde ao desenvolvimento de uma estrutura que acompanhou, mas não se deixou substituir, antes se afirmou com Jesus.

Parece que a resposta seria clara: se este patamar é obra do treinador, é a prova que é indispensável. É verdade que não ganhou, mas se sair tudo terá que ser recomeçado do zero e, em vez de poder ganhar já para o ano, vamos ter de voltar a esperar – algo que não aconteceu com o próprio Jesus, que apenas ganhou no primeiro ano, mas que é opinião respeitável. Ao invés, se a resposta fosse contrária, se a estrutura do Benfica é capaz de manter o futebol da equipa neste patamar, a função de Jesus estaria cumprida e seria hora de mudar de treinador.

Sucede que se a estrutura do futebol do Benfica nada tem a ver com o crescimento do futebol, se todos os méritos são de Jesus, só pode ser incompetente. Não há treinadores que cubram uma estrutura incompetente… e não é Ferguson quem quer!

Claro que, depois de perdida também a Taça, é mais fácil não renovar com Jorge Jesus, e a maioria que ontem reclamava a renovação do contrato será hoje uma imensa minoria. E no entanto a exibição e a derrota da final da Taça não trouxe nada de novo para cima da mesa. Nada do que se passou foi novo… Foi uma equipa imatura, que não sabe controlar um jogo. Que, se não tem condições para o jogar em alto ritmo, já não o sabe jogar. Uma equipa mentalmente destruída, sem motivação, sem querer e sem crer E esse é outro dos pontos fracos de Jesus: o trabalho mental e motivacional. Não aprendeu, já não aprende!

Jesus não tem condições para continuar. Perdendo como perdeu, perdeu autoridade de continuar a dizer qual é o caminho para o futebol do Benfica. Se não resultou, quem acredita que venha a resultar?

Quem também chegou ao fim da linha é Cardozo. Pelo episódio que protagonizou no Jamor mas, para além disso, porque condiciona em demasia o jogo da equipa. Prende a equipa, bloqueia-a e limita-a. E não é jogador para ser suplente, entrar e resolver um jogo.

Tal como a Jesus, estamos agradecidos pelos seus préstimos. Mas é hora de virar a página!

12 comentários

De calma a 27.05.2013 às 01:32

o benfica ainda não perdeu tudo: o calado ainda pode ganhar o big brother vip!
:-D

De Eduardo Louro a 27.05.2013 às 15:22

"O calado vence tudo". Diz o povo...

De Equipa SAPO a 27.05.2013 às 12:18

Bom dia,

O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente,

Catarina Osório
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais - portal SAPO

De Eduardo Louro a 27.05.2013 às 15:06

Reparei que sim. Obrigado.

De Anónimo a 27.05.2013 às 12:25

percebes pouco de bola!

De Eduardo Louro a 27.05.2013 às 15:10

Mas tu percebes muito. Na leitura é que deves ter algumas dificuldades...

De UM BENFIQUISTA a 27.05.2013 às 12:26

O Cardozo não é jogador para sair do banco e resolver??? Então o que aconteceu em Bordéus??? Fui eu que sonhei quer lá ver!!!

De Eduardo Louro a 27.05.2013 às 15:11

A Primavera não é feita por uma andorinha...

De esta é que é essa a 27.05.2013 às 13:01

Lamentavelmente, parece que o benfica não ficou no relvado até ao Vitória levantar a Taça como manda o protocolo.
Depois queixam-se que os acusam de arrogancia e cantam o nome do slb numa musica insultuosa por esse País fora.
Bem, mas ao menos desta vez, ninguém dirá que não souberam perder. Perderam e como gente grande!

De Eduardo Louro a 27.05.2013 às 15:19

Não sei se falharam o protocolo... Se isso aconteceu, não é bonito. Mas pretender justificar os cânticos insultuosos com essa hipotética falta não lembraria ao diabo. Justificar o futuro com o passado é uma coisa. Justificar o passado com o futuro não tem pés nem cabeça...

De Anónimo a 27.05.2013 às 17:04

ó eduardo, a sério...
eu não quero bater mais no ceguinho porque até eu já estou com uma certa pena do... jesus e dos jogadores que não mereciam esta debacle, mas o caro acha mesmo que esta foi a primeira vez que o benfica tratou um adversário com mau perder, sobranceria e pouco respeito?
olhe que não, amigo, olhe que não.... e daí os cânticos.

De José a 27.05.2013 às 16:13

Eu só espero que a partir de agora os benfiquistas sejam mais humildes e reconheçam que se não tem o titulo de campeão e a taça de Portugal apenas o devem a uma pessoa. È só analisarem com olhos de ver os dois jogos e vejam se não há semelhanças nos dois

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