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Dia de Clássico

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A Itália, fiel à sua história, vai no segundo empate. Quer dizer, não perdeu com nenhum dos dois adversários mais competentes para discutir o apuramento. Não perdeu com a Espanha, que terá visto mais como colega de apuramento do que como adversário de qualificação, mas também não ganhou, hoje, à Croácia, agora adversário claro na discussão por um dos dois lugares de apuramento.

Foi um bom jogo, mais um. A primeira parte foi mais bem jogada, e a azurri esteve melhor. Deu para dividir nos três quartos de hora que a compõem. No primeiro quarto de hora, no meio de algum equilíbrio, notou-se uma certa supremacia italiana, com três oportunidades para chegar ao golo: duas por Balotelli e uma por Marchisio. O segundo foi de clara superioridade croata, de que não resultou mais do que uma hipótese de chegar ao golo. O terceiro quarto de hora arrancou com nova oportunidade de golo – desta vez Cassano – para a Itália, que dominou claramente nesse período. Com nova grande oportunidade aos 37 minutos, agora por Marchisio, e com finalmente o golo, aos 39 minutos, na marcação de um livre directo sobre o lado esquerdo, por Pirlo, como só ele sabe fazer.

Se Balotelli é o vedetismo, Pirlo é a verdadeira vedeta. À boa maneira italiana, onde os jogadores de topo duram mais que em qualquer outro país, Pirlo está cada vez melhor. Dá gosto ver jogar a selecção italiana só para apreciar a qualidade de jogo de Pirlo!

Basta dizer que, em todo o jogo, falhou um passe. Um único. Foi aos 58 minutos, e quase apetece dizer que não foi ele a falhar o passe, que foi o colega a quem endossou a bola que não fez tudo para a receber!

Do outro lado estava Modric, que fez igualmente um jogo notável. Regressou à segunda parte em grande nível – dois remates nos primeiros três minutos – e durou em alto nível até à hora de jogo. A partir daí caiu um pouco, mas outros cresciam!

 

Na segunda parte a Itália viveu em permanente visita à sua história. A ganhar por 1-0 quis especular com o jogo, como sabe fazer melhor que ninguém. Metendo-lhe alguma quezília e cortando o jogo com frequência, o lado feio do futebol italiano, mas tantas vezes eficaz.

A selecção croata, de grande capacidade física e técnica e com dois avançados poderosíssimos, tomou conta do jogo e aos 72 minutos chegava ao empate: cruzamento da esquerda, grande recepção de Mandzukic, com excepcional remate de violência e colocação, já quase sem ângulo, depois de fugir à marcação de Chiellini, um defesa italiano típico, de grande categoria e praticamente inultrapassável.

Um resultado que se ajusta ao que se passou nos 90 minutos, a deixar sugerir que serão os resultados com a selecção irlandesa a desbloquear as contas deste grupo dos PIIGS, como aqui lhe chamei. E nisso a Itália parte com a vantagem de saber que a Croácia ganhou por 3-1. O que poderá nem valer de muito. È que não admiraria que nenhuma das três equipas ganhasse apenas um jogo: com a Irlanda, a confirmar-se - contrariando as opiniões dos que chegaram a dizer que as selecções dos países organizadores não tinham qualidade para ali estar, e que nunca lá teriam chegado se tivessem de disputar o apuramento, coisa que qualquer delas já desmentiu em campo - como a equipa mais fraca da competição. Que, acontecer, não vale de nada!

Nessa eventualidade ficar-se-ia perante um ameaçador cenário de especulação, com a Espanha e a Croácia a poderem cozinhar o resultado conveniente para ambas. O 2-2 bastaria!

Para já a Espanha fez o que lhe competia no outro jogo, arbitrado sem brilho por Pedro Proença. Ganhou à Irlanda e goleou por 4-0!

Num jogo em que marcou cedo, aos 4 minutos – já com a Croácia, a Irlanda começara a perder aos 3 –, em que se apresentou com um ponta de lança - Fernando Torres, o autor do golo - e em que o tiki-taka funcionou como habitualmente. Mas sem mais golos ao longo dos restantes quarenta e tal minutos de sufoco.

Voltaria a marcar de novo logo aos 4 minutos da segunda parte, por David Silva. Uma segunda parte que foi mais do mesmo, a roçar o enfadonho. O tiki-taka também enfadonha!

Viriam mais dois golos, com Torres em contra ataque a bisar, aos 70 minutos e, aos 82, por Fabregas que, ficando de fora para Del Bosque lançar o ponta de lança, tinha entretanto entrado. Que não deixou passar a oportunidade do festejo para se mostrar zangado com a situação!

No próximo jogo com a Croácia creio que outro galo cantará. Há a possibilidade de gestão a dois do resultado, mas também a da disputa aberta do jogo!

 

1 comentário

De Daniel João Santos a 14.06.2012 às 21:59

Muito bem.

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