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Dia de Clássico

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Circunstâncias e remendos

Eduardo Louro 21 Mar 16

Boavista-Benfica, 0-1 (crónica)

 

Se há jogos que valem um campeonato, este de hoje, no Bessa, poderá ter sido um desses. O Benfica procurou o golo desde o primeiro minuto, mas a verdade é que só o encontrou ao nonagésimo segundo dos 95 minutos que o jogo teve. Até por isso, pelo minuto 92, fica a ideia que este há-de ser um jogo para a História deste campeonato.

Não foi bem jogado, mas foi muito disputado e muito marcado pelas circunstâncias. De um lado um Boavista moralizado, que vinha de um excelente resultado (3-0 ao Marítimo, no Funchal) que lhe permitira fugir dos lugares de despromoção, a jogar forte e feio, correndo como se não houvesse amanhã, o que lhe permitia multiplicar os jogadores em campo. Não diria que o Boavista jogava com o dobro dos jogadores do Benfica, mas lá que parecia que jogava com 15 ou 16, parecia. No ataque, o Benfica jogava sempre em um para três: cada jogador do Benfica tinha sempre três do Boavista em cima, se o primeiro não ficava com a bola os outros dois tratavam do assunto, fosse lá de que maneira fosse...

Do outro, um Benfica cheio de remendos. E desta vez bem à vista, nada disfarçados. Eram muitos os buracos a remendar, mais que de costume, mas os remendos também não eram dos melhores. Se o Samaris já nos mostrou que se safa muito bem a central, a verdade é que ocupa o lugar do miúdo,  e obriga a duas mexidas: substitui o Lindelof e este é que acaba por substituir o Jardel. Depois, o Nelson Semedo ocupou o lugar do Andé Almeida que, por sua vez, ocupou o do Fejsa. E vão quatro... 

Mas o pior foi mesmo na frente. Para remendar o buraco Gaitan, Rui Vitória socorreu-se do Pizzi, tirando-o da direita para lá colocar o Salvio, que não quis deixar de fora. Não correu bem: Salvio ainda está longe (será que ainda lá chegará?) do que pode valer, e Pizzi, na esquerda, desaparece. E os dois pontas de lança nunca se entenderam, fugindo ambos da área e fugindo a maior parte das vezes para o mesmo sítio. Quer isto dizer que, na frente, para dois buracos - Gaitan e Mitroglou (espero que leve uma boa multa, para não se voltar a esquecer que não pode despir a camisola) - Rui Vitória apresentou três remendos ... Que só não valeram por quatro, porque o Jonas fez aquele golo na única oportunidade que teve. E lá se redimiu... 

Nestas circunstâncias - sete ou oito remendos, porque o miúdo na baliza é já outra coisa - o jogo teria de ser, como foi, muito difícil. E a vitória, estes três pontos que seguraram a liderança que já todos víamos a fugir entre os dedos, muito importantes. Até porque fiquei convencido que se o Boavista jogar sempre assim, como fez hoje, não tem problema nenhum com a despromoção! 

 

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