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Dia de Clássico

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Vamos falar de penaltis?

Eduardo Louro 23 Abr 17

 

Vamos então começar por falar de penaltis. Não que seja uma conversa que aprecie especialmente, mas porque, na conversa que não despega para destabilizar o Benfica e influenciar ambientes e decisores, foi o tema desta semana, com muita conversa falada e escrita, com relógios e contas aos dias, minutos e segundos que tinham passado sobre o último penalti assinalado contra o Benfica.

Por isso, ou por outra razão qualquer, o Ederson, que se esquecera da prudência no balneário, encarregou-se de acabar com a conversa, cometendo o penalti mais patético da sua vida. Que Artur Soares Dias viu e assinalou. E Adrien converteu, permitindo ao Sporting entrar a ganhar.   

Talvez por causa do relógio, daquele relógio, o árbitro viu esse logo no início do jogo, mas não viu – e não é a primeira vez que, em Alvalade, não vê penaltis a favor do Benfica, é já tão clássico como o próprio derbi – três, claríssimos, a favor do Benfica: primeiro sobre o Grimaldo, logo a seguir sobre o Lindelof e, uns minutos depois, sobre o Rafa.

Para acabar com a conversa dos penaltis queria dizer que achei bem que o Rui Vitória não se tivesse escudado na arbitragem do melhor árbitro português – não há dúvida que o Benfica nunca tem sorte com “os melhores árbitros portugueses” – e mesmo sem que haja memória de uma arbitragem que nega três penaltis tão óbvios numa só partida, não o referiu no final do jogo. O diabo é que a comunicação do Sporting, e o treinador Jorge Jesus, aproveitaram isso para concluir que, se ninguém falou nos penaltis, é porque não existiram.

Ponto final. No “fair play”, e nos penaltis. Também!

O Sporting aproveitou o élan do golo na abertura do jogo para agarrar o jogo. E agarrou, mas por pouco tempo. Passados que foram os primeiros dez minutos, o Benfica passou a mandar no jogo. Não criou muitas oportunidades de golo – é certo, tão certo quanto certo é que muitas foram evitadas com faltas, entre as quais aquelas três dentro da área de que não volto a falar – mas dominou todas as vertentes do jogo. Apenas nas faltas cometidas – e assinaladas – o Sporting se superiorizou.

Mesmo notando-se – e bem – a falta de Jonas, mais uma vez de fora, sem recuperar, o Benfica jogou mais, e melhor, com as arrancadas de Nelson Semedo e Grimaldo, sempre sob a batuta de Pizzi. O Sporting defendia-se como podia, especialmente com Wlliam, Bruno César e Alain Ruiz a usarem e abusarem de sucessivas faltas.

A qualidade do jogo do Benfica, e o seu domínio na partida, não deixava no entanto os benfiquistas tranquilos para a segunda parte. Porque há muito que o Benfica não consegue manter o seu melhor nível durante os 90 minutos, e porque atravessa uma fase em que entra sempre mal na segunda parte. Há muitos jogos que é assim. E porque, finalmente, nunca neste campeonato o Benfica conseguiu virar o resultado: sempre que esteve a perder, o melhor que conseguiu foi empatar.

Os primeiros minutos da segunda parte começaram logo por confirmar uma das maldições. O Benfica entrou mal, e o Sporting poderia ter marcado. Cumprida essa “formalidade” – são sempre três a cinco minutos, alguns deles com maus resultados, como aconteceu com o Porto, na Luz – o Benfica voltou a pegar no jogo.

O Rui Patrício foi adiando o golo do empate até minuto 66. Aí, já depois de, nas mesmas circunstâncias, Grimaldo ter obrigado o guarda-redes do Sporting a uma grande defesa, na superior cobrança de um livre directo, o insuspeito Lindelof fez o “golão” do empate.

Os últimos jogos já nos tinham trazido duas boas notícias: o regresso dos golos de bola parada e, finalmente com a cabeça arrumada e limpa das confusões das transferências, o “regresso” de Lindelof à sua condição de jogador de top. O minuto 66 foi de confirmação dessas duas grandes notícias. Uma confirmação ao estilo dois em um!

Atingido o empate, o Benfica acentuou a pressão sobre a grande área do rival, que passou por momentos difíceis. Depois, aconteceu o que sempre acontece quando nada resulta dessa atitude mais ambiciosa, mas também de maior risco. É a velha máxima do futebol:”quando não dá para ganhar, pelo menos não percas”.

E Rui Vitória optou por segurar o empate. Que, provavelmente, deixa tudo como estava há duas semanas. Mas com dois jogos a menos por disputar.

Já só faltam quatro jogos. Já só faltam quatro vitórias!

Dia de dérbi

Eduardo Louro 31 Ago 14

Hoje foi Dia de Dérbi. E deu empate, a um golo. Mas nem devia valer que aqueles dois golos valessem a mesma coisa.

Por isso o resultado é injusto. Mas não é só por isso. É também injusto porque o Benfica teve mais oportunidades de golo, foi mais assertivo no jogo e foi melhor que o Sporting durante mais tempo. E quando foi melhor, foi melhor que o Sporting quando foi melhor!

À parte disto tudo parece-me que foi um jogo marcado por um factor muito importante, em tudo na vida, mas particularmente no futebol. Não, não é de sorte que estou a falar. É de confiança!

A confiança que Artur roubou à sua equipa e que simultaneamente deu ao adversário. E a confiança que Jorge Jesus não tem nos jogadores que estão sentados ao seu lado no banco.

Quando tanto se falou das opções de Jesus para a baliza, achando, uns que entregar a titularidade a Júlio César seria um risco desnecessário, e outros que Artur passa rapidamente de herói a vilão, ou que terá mais aptidões para vilão que para herói, o treinador do Benfica optou pela decisão mais confortável, esperando que fosse o número 1 a resolver-lhe o problema. Pena que ao resolver-lhe o problema tenha resolvido também o resultado!

Depois, Jorge Jesus deixou claro que não tem grande confiança nos jogadores que não escala directamente para o onze inicial. Só isso explica que tenha feito uma única substituição, e aos 86 minutos, quando tirou o Talisca entrar o Derlei.

Mas tem toda a confiança justamente no jogador que substituiu, que insiste em manter como segundo avançado, perdendo uma boa opção para o meio campo para não ganhar um segundo avançado e acabar a perder a única opção a que deita mão: Lima. Talisca é mesmo o mais estranho caso na actual equipa do Benfica. Percebe-se que tem dois grandes atributos: a capacidade de passe à distância, e a altura, fora do comum. Ao usá-lo como segundo avançado perde-se por completo o seu maior atributo técnico, a capacidade de passe, e ao utilizá-lo na marcação das bolas paradas, em especial nos cantos e livres laterais, perde-se a possibilidade de usar a sua elevada estatura. Parece-me, não sei…

O Sporting foi Rui Patrício, que salvou o empate. E Wiliam Carvalho. E não foi Nani, mas pode ser que ainda venha a ser!

E o árbitro tinha de ser o Pedro Proença. Não havia volta a dar, depois do que se vira nas duas primeiras jornadas… Não foi tão mau como de costume, e não foi por ele que o Benfica deixou de ganhar o jogo. Mas, e apenas por exemplo, os dois centrais do Sporting conseguiram chegar ao fim do jogo sem um único amarelo, quando um aos 8 minutos já podia estar com o segundo e o outro, um armário descomunal, passou o jogo todo a atropelar quem lhe aparecesse à frente.

Os desequilíbrios do dérbi

Eduardo Louro 11 Fev 14

 

Começo por dizer que só tenho motivos de congratulação. Congratulo-me pelo impedimento da realização do jogo, no domingo. Uma grande decisão, tomada exactamente na hora certa. Congratulo-me pela realização do jogo, do grande derbi do país, do grande derbi do povo, mas acima de tudo pela forma como foram superadas algumas tentações, muito alimentadas por muita gente, mesmo por quem não deveria ter nada a ver com isso. Congratulo-me pelo grande jogo a que assistimos. Por não se ter dado pela arbitragem, nem ninguém a ir buscar para ensombrar a crónica superioridade do Benfica. E, evidentemente, pela grande, clara, mas escassa vitória do Benfica!

E saliento exactamente isso. Quem tivesse chegado de Marte e tivesse visto o jogo não acreditaria que aquelas duas equipas estavam a disputar o primeiro lugar do campeonato nacional. O resultado acabou mesmo por ser a melhor coisa que aconteceu ao Sporting!

Podem dizer que o Leonardo Jardim se estendeu ao comprido, e que é até capaz de ter perdido hoje o estado de graça. Mas a verdade é que, não tivessem os jogadores do Benfica privilegiado a nota artística, e talvez tivessem atingido uma marca histórica. Que, pelo fair play manifestado hoje pelo presidente e pelo treinador do Sporting, seria quase injusto.

Para a história ficará o fantástico golo e mais uma enormíssima exibição de Enzo Perez. Não se vê em nenhuma das grandes equipas da Europa um jogador como este. Espero que continuem sem reparar nele porque, esse sim, é insubstituível!

Vem aí o derbi

Eduardo Louro 3 Fev 14

Não sei se os árbitros são nomeados a pedido, sei que já foram. Mas sei - já se precebe bem - que há gente a mais a pedir o Pedro Proença para o derbi. É curioso como o Sporting - onde o presidente se propõe regenerar o futebol português justamente a partir do regresso ao sorteio dos árbitros - alega que para o jogo mais importante, o melhor árbitro. E que o melhor árbitro português é, não têm dúvidas, Pedro Proença!

É ainda curioso que também os portistas estejam de acordo. Mesmo de candeias às avessas, portistas e sportinguistas acham que o árbitro que se diz benfiquista é o melhor. E o melhor também para este jogo... Pois!

Não menos engraçada é a segunda escolha: Jorge Sousa. O dito súper dragão que na Luz suscita quase tanta animosidade como o autoproclamado benfiquista. Menos um bocadinho!

Mais, muitas mais que sobre a escolha do árbitro, serão as dúvidas sobre qual será o jogador do Benfica atirado desta vez para o estaleiro, até ao final da época. Da primeira vez foi o Sálvio, que seis meses depois ainda não regressou. Da segunda foi o Rúben Amorim, que levou que contar para 4 ou 5 semanas. E o Cardozo, agora a regressar,  3 meses depois! 

Claro que gostaria de uma boa arbitragem ... e que ninguém se aleijasse. Mas já deu para perceber que não se pode ter tudo... 

O Sporting, com o presidente Bruno de Carvalho à cabeça e com os recursos que lhe advém da condição de membro do triunvirato dos grandes, lançou uma campanha a que dificilmente posso deixar de chamar terrorista. Reclamar de decisões da arbitragem em que se sente prejudicado, sem qualquer tipo de distinção entre eles, metendo tudo no mesmo saco, é uma coisa. Eliminar, riscar ou omitir outras tantas em que foi beneficiado, é outra. Juntar esta berraria ao silêncio dos jogos a fio em que beneficiaram de penaltis e de sucessivos golos em fora de jogo, de que o jogo com o Benfica em Alvalade é apenas um exemplo, é ainda outra. Todas juntas são qualquer coisa muito perto de um terrorismo inaceitável que, como já pôde comprovar, também alguns sportinguistas repudiam.

A manipulação e a distorção da realidade, o espalhafato, a gritaria e os berros não são, ao contrário do que alguns possam julgar, sinónimo de liderança. São frágeis as lideranças que não encontram outras formas de se afirmar. Mas sabemos que povo da bola é, nesta matéria, pouco exigente, e facilmente embarca neste tipo de liderança bacoca e populista, do tipo agora é que eles vão ver de que massa somos feitos.

Não sei se Bruno de Carvalho é outro Vale e Azevedo. São muitos os traços em comum, tantos quantas as diferenças nas circunstâncias, pelo que diferentes poderão ser também os pontos de chegada.

Encetou no Sporting um processo meritório, que o mundo da bola generalizadamente aplaudiu. Toda a gente, e não só os simpatizantes do Sporting, apreciou a forma como o futebol do Sporting se virou para a sua academia, construindo a sua equipa de futebol na base dos seus jovens em formação, em detrimento das contratações que não estava mais em condições de prosseguir (as que apesar de tudo insistiu em fazer, correram mal). Toda a gente apreciou o processo de emagrecimento que instalou no Sporting, bem embrulhado num falso – mas eficazmente popular – afrontamento à banca. Era o exemplo para o futebol em Portugal, era este o caminho a seguir, mais cedo ou mais tarde todos os clubes aí terão de chegar, disse-se por todo o lado...

O problema – percebe-se agora – é que Bruno de Carvalho é o caso típico do actor que não joga com a personagem. E, porque assim é, criou aquilo a que chamaria o paradoxo do downsizing!

Bruno de Carvalho não tem uma estratégia de downsizing desenhada para salvar e recuperar o Sporting. Não está a dar dois passos atrás para depois dar um em frente (dar apenas um atrás na expectativa de, depois, dois em frente já não é coisa que se aplique ao futebol em Portugal). Esta não é a estratégia de qualquer adepto, e este presidente do Sporting quer fazer-se passar apenas por adepto. Esta é a estratégia que a banca impôs ao Sporting, que só pode ser levada a cabo por um presidente, nunca por um adepto.

É este o paradoxo. É por isso, por este paradoxo, que todos, no Sporting de Bruno de Carvalho, se acham capazes de ganhar tudo, deixando o treinador a falar sozinho. É por isso que, quando naturalmente não ganham, têm que criar factos atrás dos quais se possam esconder. É por isso que inventam fantasmas para tudo. Até para alianças… É por isso que vai correr mal!

Não foi um mau jogo, mas também não foi o jogo que os sete golos possam sugerir. Houve emoção, mas não tanta incerteza no resultado quanto o 4-3 possa dar a entender.

O Benfica – Sporting de ontem foi acima de tudo um derby, foi muito mais um grande derby que um grande jogo de futebol. Na verdade os maiores temperos do jogo vieram do picante do derby!  

Sempre que o jogo se resumiu a jogar à bola – às vezes num jogo de futebol joga-se à bola - a superioridade do Benfica foi notória, e o resultado desequilibrou-se. Os equilíbrios no jogo só surgiram quando vieram ao de cima outras dimensões do jogo. Já o equilibro no resultado teve pouco a ver com o equilíbrio que aqui e ali o jogo conheceu e muito, para não dizer tudo, com a casa arrombada em que esta equipa do Benfica se transformou nos momentos das bolas paradas, de que tanto aqui tenho falado. O problema da defesa à zona não é ter deixado de surpreender os adversários - como Jorge Jesus veio dizer - é ter passado a surpreender os jogadores do Benfica. A marcação à zona nas bolas paradas assenta em duas condições básicas: ocupação estratégica de toda a grande área e determinação no ataque à bola. A estratégia de ocupação dos espaços tem por objectivo posicionar os jogadores para que nunca tenham mais espaço a percorrer até ao encontro com a bola que o adversário para, no ataque à bola, chegar primeiro. O problema é que não é da marcação à zona, o problema é da sua interpretação…

O Sporting apenas cresceu no jogo a partir do momento em que, num canto com tanto de esporádico quanto de desnecessário, o defesa central brasileiro do Sporting, sempre sozinho, correu, preparou o salto, saltou e cabeceou - exactamente como quatro dias antes, em Atenas – para o golo que fez o 3-2. Um resultado que caía do céu e que trouxe o Sporting de volta ao jogo, e o jogo de volta às suas outras dimensões.

O Benfica não escondia o terror das bolas paradas e o Sporting não escondia que era por aí que pretendia ir.

Até que, em mais um minuto 92, num livre lateral resultante de falta nenhuma, era estabelecido o resultado que levaria o jogo para um prolongamento que, por todas as razões – entre as quais o jogo da champions (e que jogo!) a meio da semana e os factores emocionais deste próprio (de mais para menos, a deixar fugir uma vantagem confortável)  – se desenhava penoso para o Benfica.

Mas é realmente tão grande a diferença entre as duas equipas que isso não foi suficiente para sequer equilibrar o jogo durante o prolongamento que, para o Benfica, acabou apenas por ser o castigo pela sua inaceitável prestação nas bolas paradas. Como alguém dizia ao meu lado: “não aconteceu Taça”!

Três jogadores do Benfica merecem especial destaque: Cardozo, pelo hat-trick e porque mantém o pânico em Alvalade e André Almeida exactamente pelo oposto. Esteve na origem dos três golos sofridos (no último teve a colaboração do árbitro, mas ele tinha de perceber que bastaria ao jogador do Sporting sentir-lhe o bafo para se mandar para o chão), fez um penalti estúpido, de principiante, que o árbitro não viu e, quando tudo o que a equipa não precisava era de cantos, parecia que o único destino que tinha para dar à bola era a linha final. O terceiro não jogou: chama-se Oblak e era o guarda-redes para a Taça. Só tinha que ter jogado, e isso só Jorge Jesus não percebe…

Sempre foi um pouco assim, mas creio que nunca foi tanto como ultimamente. Refiro-me à arbitragem, e ao que é a reacção sportinguista às derrotas com o Benfica. Bem o treinador podia dizer que não falava de arbitragens… Não falava enquanto o Montero ia marcando uns golos fora de jogo… Não percebem que assim nunca ninguém os leva a sério: alguém tem que lhes contar a história infantil do Pedro e do lobo!

O Benfica foi superior em tudo: marcou mais um golo, teve mais uma bola nos ferros e teve mais penaltis por marcar. O árbitro não assinalou um penalti contra o Benfica – na já referida mão do André Almeida - mas não assinalou três contra o Sporting, um dos quais no lance que resultou no quarto golo do Benfica, e que teria evitado o frango do Rui Patrício. O golo do empate resulta de uma falta inexistente mas, para o Sporting, foi o árbitro...

A arbitragem de Duarte Gomes teve muitos erros, uns mais desculpáveis que outros. Não foi, evidentemente, a grande arbitragem que Jesus, do alto da sua inépcia, referiu. Mas nem de perto nem de longe foi o que Bruno de Carvalho e sus muchachos, inacreditavelmente, querem fazer crer que foi!

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