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Dia de Clássico

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Eusébio, um ano depois...

Eduardo Louro 5 Jan 15

 

Eusébio partiu há um ano. Faz hoje... Ninguém o esqueceu, os fumos negros nos braços das camisolas encarnadas lembraram-no durante todo um ano. Ainda ontem lá andavam, mesmo que ontem as camisolas fossem também elas pretas...

E a partir de hoje tem o seu nome numa avenida de Lisboa, ali mesmo à beirinha do Estádio da Luz, a sua casa eterna.

 

 

 

A separação foi curta, não foi por muito tempo... Mesmo assim, o reencontro foi uma festa. E beberam-se uns copos lá em cima...

Dia de saudade

Eduardo Louro 25 Jan 14

Passam hoje 10 anos sobre o trágico desaparecimento de Feher. Também Eusébio não teve tempo para comemorar hoje os seus 72 anos...

É dia de os lembramos a ambos... É dia de saudade!

O jogo da homenagem que faltava

Eduardo Louro 12 Jan 14

 

 

Hoje voltou a ser Dia de Clássico!

Um clássico especial, que começou com um minuto de silêncio. Que foi estragado, a claque portista não respeitou a mais simples das homenagens a Eusébio. Como não respeitou a palavra do seu líder, que garantira antes do jogo respeitar o minuto de silêncio em memória de Eusébio. Ou como ele não respeitou a sua própria palavra!

Fora isso, o que não faltou foram homenagens a Eusébio. O jogo foi todo ele uma gigantesca homenagem à Pantera Negra. Foi o golo ao minuto 13, o número que celebrizou em Inglaterra, em 1966. Foi aquela fantástica arrancada no estilo inconfundível de Eusébio, com o número 50 na camisola, seguida de passe teleguiado para Eusébio que, já com o 19 nas costas, disparou de primeira como só Ele sabe. Foi aquela impetuosa cabeçada de Eusébio, então com o 24, mais alto e mais forte que quantos Mangala por aí andem…

Aconteceu hoje aquilo com que os benfiquistas sonham há muitos anos, e que muitos davam por impossível. Como hoje se viu era possível uma equipa de onze Eusébios e, como todos os benfiquistas sabiam, uma equipa dessas só pode ganhar. Ao Porto ou a quem quer que seja!

Eu sei que é difícil ver as faltas cometidas pela equipa do nosso coração. Eu sei que, para mim, muitas das faltas assinaladas contra o meu Benfica nunca existiram. Por isso, se fosse árbitro, não as assinalaria. Mas o Artur Soares Dias é!

Por isso não viu Jackson, em claríssimo fora de jogo, e que só não marcou porque não acertou com a baliza, naquele último lance da primeira parte… Não viu as inúmeras faltas de Lucho, Fernando e companhia. E às que viu não lhe viu gravidade para amarelar. Não viu o Mangala cortar a bola com a mão, dentro da área, mesmo à sua frente… Mas viu que toda gente viu que ele viu. E a partir daí…Não foi fazer bem sem olhar a quem. Foi fazer mal!

Eu compreendo, porque se fosse árbitro também não assinalaria nada contra o Benfica até perceber que tinha caído no exagero. A culpa não é dele. É de quem faz estas nomeações, que a toda gente pareceriam estranhas!

Eusébio (1942-2014)

Eduardo Louro 5 Jan 14

 

Cresci ao som dos golos de Eusébio. Dei por mim gente à luz da estrela mundial que era Eusébio. Dei por mim benfiquista sem saber bem distinguir Eusébio e Benfica, quando para mim – e para tantos outros - ambos eram a mesma e única coisa!

Lembro-me daquelas finais da Taça dos Campeões. Da inesquecível vitória de 62, obra sua, aos 20 anos. E que obra! E de todas as outras daqueles anos 60… Daquela de 68, em Londres, quando no último minuto, com Gordon Banks pela frente e Nobby Styles – um dos seus carrascos – no ombro, lhe rebentou em cima a maldição de Gutman… Daquele Mundial de Inglaterra, de 1966. Daquele mítico jogo com a Coreia do Norte, e das lágrimas no fim daquele jogo com cheiro a batota das meias-finais, com a selecção inglesa. Daquela maneira única de correr para a bola no livre que dava invariavelmente em golo. Da explosão e do poder de remate, únicos e imparáveis!

Lembro-me que os anos foram passando e deixando as suas marcas. Nele, marcas bem pesadas, que apressaram a hora do adeus aos campos de futebol. Deveria ter acontecido na Luz, aos 31 anos, pela porta grande daquele jogo de 25 de Setembro de 1973, que reuniu a fina flor do futebol mundial. Depois de mais uma época brilhante: o título sem derrotas - mais um tri - para o Benfica e a segunda bota de ouro de Eusébio, depois da de 1968. Mas não aconteceu, ao contrário do que merecia!  

Lembro-me que se seguiram alguns anos – anos de mais – que o Eusébio não merecia. Lembro-me daqueles anos negros da segunda metade da década de 70, quando todos os dias me cruzava com ele na João XXI, onde então eu morava e ele passava os dias. No início da década de 80 o Benfica começou a reparar os erros desse passado curto, mas penoso. Mas foi só com Luís Filipe Vieira que Eusébio viria a ocupar o lugar que sempre merecera no Benfica. Honrando-se, honrando aquela que foi a maior marca da sua marca!

Hoje ficamos na cama até um pouco mais tarde. Pouco tarde para um domingo de manhã, mas muito tarde para os compromissos que tínhamos fora de casa. Por isso agilizamos as tarefas matinais, apressamos umas rotinas e suprimimos outras. Trocamos o pequeno-almoço na sala, na companhia das primeiras notícias do dia, pelo pequeno-almoço em pé, rápido no silêncio da cozinha.

Entramos no carro, e no rádio – na Antena 1 como sempre – falava-se de Eusébio. Naquelas primeiras missões de cada início de viagem – apertar o cinto, pôr os óculos, abrir o portão fechar o portão – nem prestei atenção. Até a minha mulher se virar para mim: “Olha, o Eusébio morreu”!

- “Não, isto é um programa desses sobre as histórias do século passado”, respondi enquanto pelas colunas do rádio ouvia falar do Mundial de 66. “Que disparate, mulher. O Eusébio não morre, o Eusébio é imortal”!

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