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Os jogadores do BENFICA têm sido, com Jesus, elementos de uma máquina colectiva desenhada pelo Mestre. Podem, segundo ele, adicionar
elementos de criatividade, mas apenas no momento da decisão junto à baliza do adversário.
Acho, por isso, que ontem, os jogadores, um a um, cumpriram como nunca as instruções do líder.
André Almeida, a surpresa, esteve muito bem ao ponto de ter feito do James um dos piores jogadores em campo. Como muito bem estiveram os dois centrais que secaram por completo o melhor marcados do campeonato.
Matic e Enzo foram mais que suficientes para secar por completo o meio-campo que em tempos foi comparado com o do Barcelona, num manifesto exagero tão típico de Portugal. Apostaria em Enzo para o melhor em campo.
Nas alas, o Salvio esteve bem na gestão da posse de bola e, para surpresa minha (mais uma!) Ola John defendeu como nunca. Niko e Lima estiveram, parece-me, como Jesus pediu.
Depois há dois elementos que ficam associados ao segundo lançamento do dado da sorte azul - Maxi e Artur. Curiosamente, também eles, envolvidos no primeiro tiro de sorte.
Parece-me que no primeiro golo não há nada a fazer, mas no segundo obviamente aquela troca de bola não pode acontecer daquele modo e Maxi deveria ter cortado a jogada antes e, manifestamente, Artur poderia ter feito um bocadinho mais.
Mas, não fez e o SPORT LISBOA E BENFICA perdeu.
Fomos uma equipa colectiva e solidária.
Gostei da equipa, até porque, como tinha dito Jesus, conseguimos jogar de um modo diferente e esse é mais um sinal de crescimento da equipa.
Ouve-se dizer por aí que o negócio vai mal para as farmácias – corre bem a quem? – que fecham todos os dias, numa escalada de falências. Não sei se é bem assim ou não, sei é que terão hoje um grande dia de negócios, de casa cheia, inundada de benfiquistas e portistas a esgotar stocks. Benfiquistas numa procura desenfreada de Kompensan e portistas a levarem até à última embalagem de Hirudoid… Uns à procura de tratar de um nó no estômago, bem pior do que se tivesse acabado de levar com um gancho certeiro do Cassius Clay dos bons velhos tempos. Outros com o corpo cheio de nódoas negras de, incrédulos, tanto se beliscarem. Para confirmar que estão bem acordados, que não foi um sonho, que aquilo aconteceu mesmo…
Naquele minuto 92, quando o Liedson (mas este tipo tem que nos perseguir até ao inferno?) recebe a bola e a coloca à frente do Kelvin, como em nenhum dos dias dos últimos três meses - à excepção destes últimos cinco - não havia portista que acreditasse que fosse possível ganhar este campeonato. Acho que era o Benfica que o mereceria ganhar, mas também acho que o Porto tem mérito.
Acho, como já escrevi, que não se pode resumir as coisas à sorte e ao azar, mas não acho que o mérito do Porto tenha sido o de acreditar. De acreditar sempre, como dizem. E como diz o Vítor Pereira… Não foi, até porque, como foi mais que evidente, ninguém acreditava. E a toalha foi atirada ao chão, toda a gente viu.
O mérito do Porto foi outro: ganhar todos os seus jogos durante estes dois ou três meses, não ceder num único jogo a partir do momento em que viu o Benfica fugir com uma vantagem de quatro pontos. E esse mérito é bem maior. Tudo é mais fácil quando se acredita, quando se persegue qualquer coisa. Difícil é não ceder quando em causa está apenas a obrigação de ganhar. Naturalmente, sem mais…
É isso que normalmente o Benfica não consegue fazer, e que simplesmente vem do hábito de ganhar!
Começo por dar os parabéns aos companheiros do Dia De Clássico - acho que as nossas equipas honraram o nome deste blogue e, uns e outros, estão de parabéns.
Depois, o jogo.
Confesso que não apostei no André Almeida, nem no Ola John porque sempre pensei que o Jorge Jesus iria levar para a primeira meia hora a artilharia toda. Enganei-me. O Benfica entra com o o André Almeida a defesa esquerdo, o Ola John e o Salvio nas alas, o Niko atrás do Lima numa dupla de avançados que tem sido hábito nos jogos fora de casa de dimensão mais complicada.
E a minha divergência na abordagem ao jogo prendia-se com a sua dimensão física - achei (acho!) que a melhor equipa do BENFICA pode ser melhor que a do porto e, por isso, via numa abordagem agressiva inicial uma boa forma de pensar a entrada no jogo.
Do lado do porto, que acompanho menos, não consigo identificar grandes mudanças.
Nos primeiros minutos de jogo o porto começa com mais bola e só tem uma "meia" oportunidade quando o Jakson não chega a tempo de uma bola cruzada da direita. De resto, um jogo tranquilo da equipa do BENFICA, colocada na segunda metade do seu meio-campo e dominando completamente o jogo, que empatado, estava perfeito.
Um lançamento longo, tradicional no BENFICA de Jesus, Luisão luta pela bola perdida, que ao chegar ao 2º post é empurrada pelo Lima (parabéns pelos teus 30 anos!) para a baliza.
Com 18 minutos de jogo, o Benfica ganhava por 1-0.
Continuou tudo mais ou menos na mesma e
É isto. caros leitores! O futebol encerra em si esta sinestesia de emoções que nos fazem oscilar entre o choro e o grito! A imagem de Jesus que se ajoelha perante a explosão de alegria personifica este desporto supremo.
Num jogo muito táctico, só os golpes de sorte e de algum saber determinariam o vencedor. O jogo de hoje foi tudo isso.
A dada altura, vejo o Cardozo rasteirinho a dizer-me "acabou". Contudo Helton diz-me que não e avança o nosso "Juari": o Kelvin, muito Klein mas talentoso. Num golpe de teatro, tudo muda. A rouquidão da minha voz só adormeceu no apito final de Proença.
Parabéns às duas equipas. Mostraram ao mundo do futebol que, em Portugal, há qualidade imensa e esta foi uma final de Champions. A nossa final. Revi-me em Viena pela marcha do marcador, da cor e da emoção. Que jogaço!
Falta um passo nos Paços de Porto Ferreira? Foi você que pediu um campeão?
Resta-nos lutar até ao fim para dignificar a vitória final.
Acreditei, acreditei sempre na grandeza estóica do meu Porto à guisa de Viena!
Força, Porto!
Hélder Rodrigues
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