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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

06
Dez16

Sem brilho

Eduardo Louro

 Benfica - Nápoles - Liga dos Campeões

 

O Benfica apurou-se para os oitavos de final da Champions. Sem brilho, não há outra forma de o dizer.

Sem brilho porque o fez com apenas 8 pontos. E isso nunca é brilhante. E sem brilho porque perdeu o jogo, na Luz, com o Nápoles, repetindo o 1-2 da Madeira. E desta vez, ao contrário da última, perdeu bem: sem espinhas. A equipa italiana foi melhor. Na segunda parte foi mesmo muito melhor. E sem brilho porque fê-lo à custa de terceiros: o surpreendente Dínamo de Kiev, que despachou o Besiktas com um resultado improvável na Champions: 6-0!

O apuramento é importante. Muito importante, mesmo, mas o jogo não deixa razões para festejar. Deixa é preocupações. Porque é a segunda derrota consecutiva, porque o rendimento da equipa baixou assustadoramente, e porque há jogadores - e não são poucos - que, de repente, deixaram fugir a grande forma que exibiam. E porque deixa vir ao de cima aquela ideia terrível que, nos grandes jogos, nos mais exigentes, a equipa encolhe-se. Não se consegue impôr.

Vai agora ter de desmentir tudo isso, já no domingo, onde a liderança do campeonato ficou subitamente em jogo. Não é normal o Benfica perder dois jogos consecutivos. Três é impensável! 

04
Dez16

Vitória Augusta (o 59 ainda passa no Campo dos Sonhos)

helderrod

Imperial. A Invicta triunfou sobre a Bracara Augusta num registo épico. 

A sombra do empate e dos infindáveis minutos que os homens dos bastidores tanto gostavam de contar acabaram hoje.

A galinha negra que se postou na baliza onde Rui Pedro (número 59) finalizou com soberba classe foi fundamental. A mesma foi mais forte do que as cerradas figas oriundas da segunda circular na noite do Dragão. Por vezes, estas transcendências do misticismo são preponderantes. Hoje resultou. Só tenho pena de não ter podido saborear uma cabidelazinha após esta saborosa vitória.

Na noite de hoje, o FCPorto impôs-se à moda antiga. O coração ainda se sobrepôs à razão na primeira parte e teve quatro grandes oportunidades do golo. Oliver foi enorme, trabalhando incessantemente a bola com fabulosas mutações de flancos. Pena foi aquele que podia ter sido o momento do jogo pela negativa. A grande penalidade falhada por André Silva não augurava nada de bom para a segunda parte. 

Todavia, jogando em vantagem numérica o FC Porto esmagou um braga pequenino e encolhido à guisa das equipas que jogam de vermelho no Dragão. E então evidencia-se a raça do Maximiliano que catapultou aquele flanco direito com um irrepreensível Corona pela direita. A resiliência foi ininterrupta também pelo flanco esquerdo com a boa ajuda de um esforçado Brahimi que parece estar a crescer. 

E foi assim que no tempo extra surpreendentemente concedido pelo árbitro perante um constante antijogo de Marafona, o Porto chega ao golo de Rui Pedro. E que golo. Que classe. O jovem jogador encerrou com supremacia aquele passe magistral de Diogo J e acabou com todos os discursos que estavam já preparados para o usual bota-abaixismo dos portofóbicos nas TV e jornais da especialidade.

Por isso soube bem. Foi um momento soberbo o qual todos os portistas desejam que seja um "turning point" nesta temporada. 

O próximo desafio está já aí ao virar da esquina e a continuidade na Champions é fundamental. Que o antigo 59 continue a passar pelos Sonhos daqueles que acreditam num Porto autoritário no seu reduto.

 

Força, Porto

Hélder Rodrigues

 

P.S. Se o Rui Pedro vestisse de outra cor estaria já a valer uns 90 milhões nos matutinos...Não me levem a mal. Deixem passar esta linda brincadeira.

 

Foto de Raurino Monteiro

portobraga.png

 

Nota de autor: o 59 era um autocarro dos STCP cujo destino era a Codiceira (Alfena) e que passava no Campo dos Sonhos em Ermesinde.

03
Dez16

Quando menos se esperava...

Eduardo Louro

Luisão: «Fomos parados de várias maneiras»

 

 O Benfica perdeu, hoje na Madeira. Com o Maítimo, à décima segunda jornada e à entrada de um ciclo de elevado grau de dificuldade que faz deste Dezembro um mês complicado. 

Já não perdia há muito tempo e, embora muitos o desejassem, ninguém pensaria que acontecesse hoje. Porque ainda há duas apenas semanas cilindrara esta equipa do Marítimo, no jogo da Luz, para a Taça, com uma enorme exibição e uma gorda goleada de 6-0. E porque a equipa atravessa - sim, no presente do indicativo - um período de grande consistência, em grande forma, com um  futebol demolidor, com soluções para todos os problemas...

Mas aconteceu, e o Benfica perdeu hoje a invencibilidade no campeonato. E deixou de integrar o restrito grupo de três equipas invictas em toda a Europa: sobram agora o sensacional Leipzig, na Alemanha, e o Real Madrid.

A equipa não entrou bem, é certo. Entrou a perder, com um golo aos 5 minutos, num erro colectivo a que Luisão emprestou a cara. O Benfica reagiu de imediato, e pouco tempo depois já lá estava o seu futebol habitual. Em cima do adversário, asfixiando-o, com o carrossel a funcionar em pleno. Uma única excepção, ali pelo minuto 20, quando o Ederson, com duas defesas consecutivas de grande qualidade, evitou o segundo golo. Foi claramente uma excepção, as oportunidades sucediam-se, como se sucediam as faltas dos impunes jogadores do Marítimo, e era praticamente garantido que o golo do empate chegaria depressa. E que os outros viriam a seguir...

Tardou, mas não muito. O empate chegou à passagem da meia hora, com um remate de Nelson Semedo a sofrer um desvio, sem o qual não daria em golo, na única gota de felicidade que hoje estava reservada para os tri-campeões. Que sairia bem cara!

Ainda se não tinha percebido isso, e apesar de o guarda-redes Gotardi começar a parecer instransponível, a ilimitada confiança na equipa deixava os adeptos convencidos que ao intervalo já o marcador teria dado a cambalhota. Não foi assim, o golo não aparecia mesmo. Mas havia ainda toda a segunda parte...

Logo no arranque a bola saiu da cabeça de Salvio para bater na barra, e não entrar. A partir daí, ou o guarda-redes do Marítimo fazia milagres, ou a bola saía centímetros ao lado. Ou por cima. E pronto, lá se voltou a cumprir a eterna profecia do futebolês: quem não marca, sofre. Na únca vez em que o Marítimo saiu lá de trás, foi a vez do erro ganhar a cara do André Almeida. Por três vezes, o que, convenhamos, é demais: primeiro foi anjinho, e permitiu que um adversário lhe roubasse uma falta (os jogadores do Marítimo mandavam-se permanentemente para o chão, e o árbitro fazia-lhes sempre a vontade); do livre, a bola chegou-lhe, na esquerda e, com uma rosca, devolveu-a para a área, à mercê do remate de um adversário, que resultaria num canto; por fim, no canto, deixou o adversário saltar à vontade para marcar o golo que ditaria a derrota. 

Faltavam 20 minutos, mas nem cinco sobraram para jogar. A partir daí os jogadores do Marítimo não permitiram mais que se jogasse à bola. Sempre no chão, um de cada vez e o guarda-redes nas vezes todas.

    

 

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