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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

03
Fev19

Que grande Benfica!

Eduardo Louro

 

Seis golos, e mais três anulados, dois penaltis, uma expulsão ... Que grande dérbi veio Cristiano Ronaldo ver a Lisboa!

Sim, um grande jogo, um grande dérbi mas, acima de tudo, um grande Benfica, este que Bruno Lage moldou com as suas próprias mãos, e que hoje chegou a Alvalade para simplesmente não dar qualquer hipótese ao Sporting. Que esteve por várias vezes à beira do KO e acabou por ser sempre salvo por um milagre qualquer. Na parte final da primeira parte quando, completamente grogue, tinha a sorte de estar a perder por apenas 0-2, foi Samaris - Gabriel é que é nome de anjo - o autor do milagre, ao perder uma bola quando não tinha como perder, que deu o golo ao Sporting.

Para trás ficava então um grande espectáculo de futebol com uma exibição de gala dos jogadores do Benfica. Mas apenas dois golos... a contar...

Seferovic abriu o marcador aos onze minutos, mas logo aos quatro, numa grande jogada de Grimaldo, já a bola não tinha entrado porque ... não quis. Onze minutos depois do primeiro, mais um grande golo de João Félix, que o VAR não quis que valesse, descobrindo uma daquelas faltas no início da jogada que só valem se for para penalizar o Benfica. Dois minutos depois, Seferovic apareceu sozinho na cara de Renan, que negou o golo. Dez minutos depois nova grande jogada e golo do miúdo. Nem festejou. Os jogadores do Benfica já nem festejam os golos. Sabem bem que há sempre um VAR pronto a invalidá-los!

Ir para o intervalo com o Sporting ainda dentro do jogo foi o milagre do dérbi. Um banho de futebol, cinco claríssimas ocasiões de golo, três golos de grande categoria, não jogavam com aquele resultado.

Logo na reentrada o Benfica fez o terceiro golo, o primeiro de Rúben Dias no campeonato, e voltou a encostar o Sporting às cordas. Pouco depois Seferovic voltou a marcar. Desta vez um golo que roubou ao Benfica, ao não permitir que fosse João Félix, ali encostado, a fazer o remate. O internacional suíço vinha de fora de jogo, e o miúdo estava em posição legal. Logo a seguir é o ferro que rouba novo golo a Seferovic. E até ao quarto golo, por Pizzi na conversão de uma grande penalidade, por falta do guarda-redes do Sporting sobre ... João Félix, o Benfica nunca tirou o pé do acelerador. E logo no minuto seguinte, sozinho à frente da baliza deserta, inexplicavelmente o miúdo não acertou na baliza. O relógio assinalava o minuto 78, e ficou a ideia que os jogadores do Benfica começaram a deslumbrar-se.

Logo a seguir o Sporting marcou, mas em fora de jogo. E por isso não valeu, e cinco minutos depois o VAR descobriu um penalti do Odysseas sobre ... Bas Dost. Soares Dias expulsou o guarda-redes do Benfica e, na conversão da grande penalidade, o holandês fechou o resultado num mentiroso 4-2.

Uma grande vitória e um grande resultado em Alvalade. Mas nunca, nem nos 3-6 de 1994, a vingança dos 7-1 de há 32 anos, esteve tão perto de se servir fria. Hoje o jogo teve tudo para que o score superasse esse resultado mítico.

29
Jan19

Não há jogos perfeitos. Mas alguns estão lá perto!

Eduardo Louro

 

Regresso à Luz, mais de três semanas depois, já bem dentro do tal ciclo infernal. O dia e a hora não eram os melhores para mais uma grande casa, e o tempo também não ajudava. Mesmo assim, quarenta e dois mil a apoiar a equipa!

Sim, a apoiar. Pecebeu-se isso logo no início do jogo, quando o Gabriel, displicentemente ou por erro de cálculo, ainda dentro da área, ao tentar jogar com o guarda-redes, entregou a bola a um jogador do Boavista que fez aquilo que, de propósito, dificilmente faria: acertou no poste. Havia sete minutos de jogo, o Benfica ainda não tinha pegado na partida e, em vez de protestos e assobios, das bancadas vieram aplausos de incentivo.

E a equipa respondeu à altura. A prioridade tantas vezes anunciada pelo Bruno Lage - a reconquista ... dos adeptos - está a dar resultados. A partir daí o Benfica desatou a jogar à bola, e não mais parou.

O primeiro surgiu quase de imediato, num livre batido por Pizzi e concluído de cabeça, em grande estilo, pelo puto-maravilha.

O jogo não saía da área dos axadrezados, era ali que tudo se passava. Cada perda de bola, tinha por certa a recuperação imediata. E mais cantos ... E mais uma oportunidade de golo, e outra, e outra... 

Golos, é que ... só um. Ainda antes da meia hora, por Pizzi. A bola não quis entrar mais nenhuma vez naquela baliza. Havia sempre mais uma perna, e quando não havia perna, havia um guarda-redes que até tem nome de guarda-redes. E quando já não havia tudo isso, estava lá o ferro da baliza...

O intervalo não chegaria sem que o incrível acontecesse. Num canto, o primeiro para o Boavista, mesmo à beirinha dos 45 minutos, um ressalto e ... bola dentro da baliza de Odysseas. Não é a primeira vez que isto acontece. Nem será a última!

No regresso para a segunda parte parecia que as duas equipas tinham sentido aquele golo. O Boavista apresentou-se mais subido, e quando parecia que o Benfica iria conhecer algumas dificuldades, o João Félix arrancou por ali fora e deu para o Seferovic fazer o terceiro golo. A reacção axadrezada morreu logo ali, e os dados da primeira parte foram de imediato repostos.

Seferovic voltaria a bisar, desta vez na recarga a um remate de Pizzi e, a cinco minutos do fim, a obra prima do jogo: Gedson, que substituira o Pizzi, à entrada da área desenvencilha-se de dois adversários e enterga a bola a Grimaldo na esquina da área. De primeira, num remate fabuloso, o lateral esquerdo colocou a bola em curva e em arco, tudo ao mesmo tempo, no àngulo superior esquerdo da baliza do guarda-redes do Bessa.

Para tudo ser perfeito e acabar em beleza, ao minuto 90 o Samaris imitou o portista Oliver e o árbitro, Rui Costa, assinalou penalti. Bem marcado pelo veterano Mateus, com a bola rasteira e completamente puxada ao poste direito do Odysseas. Que numa incrível e espectacular estirada defende, para canto.

22
Jan19

(V)AR da sua graça

Eduardo Louro

Polémica no Benfica-FC Porto: Pizzi empatou mas golo foi anulado por fora de jogo

 

Foi um grande jgo de futebol, este clássico em versão meias finais da Taça da Liga. E, se não foi uma grande exibição do Benfica, também não andou lá muito longe. 

Não lhe valeu de muito, porque não evitou a derrota, a primeira de Bruno Lage. Injusta, e tão mais injusta por ter sido ditada pela inaceitável anulação do segundo golo do Benfica, por um fora de jogo inexistente que o árbitro assistente assinalou sem qualquer motivo, e que o VAR não quis contrariar. Vá lá saber-se por quê.

Estava então a primeira parte no fim, e o jogo teria ido para intervalo empatado a dois golos. Que seria o resultado justo para uma primeira parte jogada a alto nível, com uma intensidade rara no futebol que se joga em Portugal, se outras anormalidades não tivessem acontecido.

Não foi assim, e a segunda parte iniciou-se mesmo com o Porto a ganhar. Nada que levasse os jogadores do Benfica a desistir de ganhar o jogo. Logo no arranque Seferovic, isolado e com o guarda-redes do Porto batido, podia ter refeito o empate, mas a bola acabou por sair a milímetros do poste direito. Pouco depois seria João Félix a fazer o mesmo, ainda dentro dos primeiros cinco minutos da segunda parte.

Não foi por falta de oportunidades de golo que o Benfica não ganhou o jogo. Na segunda parte esteve sempre por cima do Porto, que passou largos períodos em cima da sua área, onde aglomerou todos os seus jogadores. Depois, nos minutos finais, quando o Bruno Lage apostou tudo, porque não tinha outra coisa a fazer, uma perda de bola resultou num lançamento, ainda no meio campo do Porto, que permitiria ao recem entrado Fernando correr sozinho até à baliza de Svilar e fechar o resultado num mentiroso 1-3.

Mentiroso pelo jogo jogado e mentiroso porque a arbitragem lhe roubou a verdade. Carlos Xistra é já um clássico. E o VAR, que se estreou nesta competição com muito ar da sua graça fez o resto: tentou levar Carlos Xistra a anular o primeiro o golo do Benfica, vendo o que se não via, e não o contrariou na anulação do segundo, sem ter visto qualquer razão para o fora de jogo (porque ningué vê), nem conseguiu ver as faltas (no primeiro, falta clara de Oliver sobre Gabriel e, no segundo, de Marega sobre Grimaldo) que precederam os dois golos do Porto. 

Foi pena que alguns benfiquistas tenham abandonado a Pedreira antes do fim do jogo, porque os jogadores mereciam os aplausos de todos, e não apenas dos que ficaram. Porque este jogo não deixou razão nenhuma para abalar o trajecto que está a ser feito. Este resultado, e as suas circunstâncias, não podem pôr nada em causa! 

 

19
Jan19

E no fim... uma delícia!

Eduardo Louro

V. Guimarães-Benfica, 0-1 (crónica)

 

Foi bem difícil este segundo jogo de Guimarães em três dias. Como se esperava mas, se calhar, diferente do que se esperava. Até porque o jogo foi completamente diferente do que selara a passagem do Benfica às meias-finais da Taça, há apenas três dias.

Ambas as equipas mudaram alguns jogadores, mas por razões perfeitamente inversas. O Vitória porque recuperou lesionados (André André) e castigados (Tozé), o Benfica porque perdeu, por lesão, Fejsa e, por castigo, Rúben Dias. Às balizas de ambas as equipas regressaram os habituais titulares no campeonato e, ao Benfica, regressou (?) Castillo, a preencher a quota de surpresas que Bruno Lage tem reservado para cada jogo, para o lugar de Seferovic. 

O Vitória apostou numa equipa mais subida e na dimensão física do jogo, muito forte nos duelos individuais e muita rasgada na disputa de todas as bolas. E com isso criou bastantes dificuldades ao Benfica durante muitas partes do jogo, especialmente na segunda parte. Mesmo assim, e passados os primeiros dez minutos, na primeira parte o Benfica foi quase sempre melhor, com mais bola e mais remates, sete contra quatro, mesmo sem grandes oportunidades claras de golo.

Na segunda parte o Vitória reforçou a agressividade e a pressão alta, e na verdade esteve mais por cima do jogo. Essa dinâmica entusiasmou os jogadores vitorianos, e criou-lhes a sensação de que poderiam ganhar o jogo. Acabaria por lhes ser fatal. Bruno Lage mexeu bem na equipa, lançando Seferovic e o regressado Rafa, e começou a aproveitar o espaço que a equipa vimaranense deixava nas costas da sua defesa, virando decisivamente os dados do jogo.

Quando aos 80 minutos Seferovic fez o golo, numa belíssima jogada de futebol que passou por um passe sensacional de Gabriel, já o Benfica tinha deixado sérios avisos do que estava para vir, incluindo duas jogadas de golo erradamente anuladas pela equipa de arbitragem por foras de jogo inexistentes. O Vitória sentiu o golo e, em vez de uma equipa de futebol, pouco mais foi que onze jogadores de cabeça perdida. Onze, porque o árbitro Tiago Martins, também ele, e apesar da juventude, um velho conhecido, permitiu que André André permanecesse em campo depois de, consecutivamente, na mesma jogada, completamente de cabeça perdida, se ter aplicado os pitons nos pés e nas pernas de João Felix e André Almeida. Foi ao minuto 84, e se na primeira entrada sobre o miúdo nada assinalou quando, no segundo seguinte, atingiu André Almeida, mostrou amarelo a ambos!

Teve que ser Luís Castro a fazer o que Tiago Martins devia ter feito, tirando-o do jogo logo a seguir. Mas fazendo entrar outro, naturalmente.

Fica mais uma vitória a alimentar a crença, e a certeza que há treinador. Esta é uma vitória com muito dedo de Bruno Lage. Na estratégia (Castillo não decidiu, mas cumpriu com as tarefas que lhe destinou), na forma como especialmente Gabriel, mas também Samaris, foram importantes no jogo, na forma como corrigiu os jogadores ao longo do jogo e, finalmente, nas substituições. Decisivas!

E, depois, no fim, é uma delícia ouvi-lo falar do jogo. Sem rodriguinhos nem frases feitas, apenas a explicar aquilo que aconteceu. E o que todos vimos!

12
Jan19

Estranho, só o resultado...

Eduardo Louro

 

No segundo jogo da era Bruno Lage - durante quanto mais tempo os jornalistas continuarão a perguntar-lhe se é o último jogo? - os jogadores do Benfica voltaram a mostrar como Rui Vitória tinha chegado ao fim da linha.

Depois da surpresa do afastamento de Ferreyra do lote dos convocados, o novo treinador do Benfica guardava mais uma supresa para o onze inicial, com duas alterações em relação ao jogo do passado domingo, com o Rio Ave, saindo os dois alas argentinos - Cervi e Salvio - e entrando, sem surpresa, Zivkovic e, surpreendentemente, o brasileiro Gabriel. Que conseguiu aproveitar para, finalmente, apresentar alguma coisa que justificasse a contratação!

Viu-se que os jogadores estão mais bem distribuídos em campo, e confirmou-se a pressão alta e a intensidade posta na disputa da bola. Para isso, Gabriel contou. E muito. E contou Fejsa, finalmente a abandonar a cadeira lá atrás, onde passava os jogos sentado, e a subir à grande área adversária para aí entrar nas tarefas de recuperação da bola.

Bastou isto, e Zivkovic e Pizzi nas alas, para que a equipa passasse a ter jogo interior, deixasse de chutar a bola para a frente e deixasse de passar por sobressaltos, como sempre passava contra este tipo de adversários. Depois, para o resto,  lá estão João Felix, Grimaldo e Seferovic.

Hoje em Ponta Delgada foi de tal forma assim, foi de tal forma gritante a superioridade do Benfica, que a única coisa que se não percebe é o resultado. É inacreditável como um jogo destes acaba com um simples 2-0!

O Benfica criou bem mais de uma dezena de oportunidades de golo, daquelas em que simplesmente a bola não quer entrar. Todas através de jogadas de encher o olho, que bem podiam caber em números de Circo.

Mas não se pode dizer que o Benfica tenha feito uma grande exibição, sem ponta de mácula. É bom que os jogadores percebam isso, e vão perceber. Percebemos que o Bruno Lage percebeu isso bem, e não vai deixar de lhes explicar que o circo não é actividade de estádio, normalmente decorre numa tenda. 

Se em vez do espectáculo de circo, na segunda parte os jogadores se tivessem dedicado apenas ao futebol, tinham feito uma grande exibição e teriam saído dos Açores com um resultado que constiuiria um recorde imbatível!

 

06
Jan19

Sinais de vida nova num grande jogo de futebol

Eduardo Louro

Bruno Lage:

 

Era grande a expectativa para este primeiro jogo pós Rui Vitória, na primeira apresentação de Bruno Lage. A convocatória tinha revelado algumas surpresas, o que aumentava as expectativas sobre as opções de Bruno Lage para o onze inicial.

Com poucas surpresas, no entanto. Com Jonas castigado, teria de entrar Seferovic, mesmo com Ferreyra e Castillo na convocatória. Gedson, muito mal nos últimos jogos, também não foi surpresa que ficasse de fora, ao contrário do que aconteceu com Zivkovic, substituído pelo inconsequente Salvio. 

Novidade, talvez nem tanto surpreza, foi o 4-4-2, que levou João Félix para a sua posição natural pela primeira vez, ao lado de Seferovic. Que grande exibição fizeram ambos! Repartiram os quatro golos da equipa, todos de grande qualidade, mas fizeram muito mais.

Quando o árbitro Luís Godinho - de muito pouca qualidade e especialmente vocacionado para fazer maldades ao Benfica, vocação que voltaria a confirmar - apitou para iniciar a partida percebeu-se logo que o Rio Ave, também a estrear treinador (Daniel Ramos), vinha disposto a dar sequência ao bom futebol que tem apresentado, jogando com a qualidade que se lhe vira em Braga e no Dragão - onde, então com o José Gomes no banco, foram melhores que os adversários - mas com mais intensidade e maior agressividade na disputa da bola.

O Benfica também entrava muito melhor, especialmente na intensidade que colocava no jogo e na entrega dos jogadores. Estava até a fazer algo que há muito não se via, pressionando alto e sufocando o adversário quando, à entrada para o segundo quarto de hora, ao primeiro remate, o Rio Ave chegou ao golo.

O Benfica sentiu o golo, perdeu o tino e, ao segundo remate, 3 minutos depois, o Rio Ave fez o segundo golo, gelando os 50 mil que estavam na Luz. Curiosamente pareceu que a equipa sentiu mais o primeiro que o segundo golo. Este foi apenas o toque a reunir!

Se em três minutos sofreu dois golos, em quatro marcou outros tantos, e à entrada do último quarto de hora da primeira parte o jogo ficava empatado, e o público da Luz ao lado da equipa.

A segunda parte arranca com uma jogada sensacional de Grimaldo que passou em drible por cinco jogadores do Rio Ave dentro da área, acabando com o poste a cometer um crime de lesa futebol. Depois seguiu-se um período em que o Rio Ave parecia querer adormecer o jogo, para melhor surpreender o Benfica. Mas foi sol de pouca dura, com o terceiro golo do Benfica (João Félix) depressa voltaram a acelerar... E nem o quarto lhes tirou o ânimo e a vontade de discutir o jogo palmo a palmo.

No fim ficou um grande jogo de futebol, com muita qualidade, emoção e golos. E duas certezas: uma é que os jogadores não estavam, de todo, com Rui Vitória. A outra é que é urgente trabalhar a forma como a equipa (não) defende. É por demais - e há muito - evidente que o Benfica não sabe defender. Hoje, muita coisa mudou só porque mudou o treinador. Mas a equipa não passa a defender bem só porque mudou o treinador!

Para Bruno Lage, só isto: que saudades eu tinha de ouvir um treinador do Benfica a saber o que está e o que tem a dizer! 

06
Jan19

O tudo ou nada

Eduardo Louro

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Não estou certo que dê certo. Tenho mesmo muitas dúvidas, mas há grandes probabilidades de Mourinho vir a ser, no início da próxima época, o novo treinador do Benfica.

Há muito pouco tempo, quem ousasse pensar uma coisa destas só poderia não estar bom da cabeça. Hoje, é a coisa mais natural deste mundo!

Se José Mourinho, enquanto treinador de top mundial, não bateu no fundo, não anda lá muito longe. Tem, nesta fase da sua carreira, duas opções. Nem mais uma: ou desiste, e começa a viver a sua reforma dourada; ou vai à procura do relançar a carreira!

Se pensarmos um bocadinho concluimos facilmente da baixa probabilidade da primeira hipótese, e rapidamente somos levados a concluir que a única opção de Mourinho é, agora, relançar a carreira. Não é começar tudo de novo, mas é recomeçar para voltar ao lugar de topo que ocupou, e tornar-se ainda maior que os maiores por lá ter estado em tempos históricos diferentes. E provar que é tão "special" que até contraria a própria natureza!

O Benfica serve estes propósitos. Tem grandeza e tem condições que lhe permitem voltar a ganhar. Está também perto do fundo e só pode subir, minimizado-lhe todos os riscos. 

É a tábua de salvação para a reeleição de Luís Filipe Vieira que - lembram-se? - há muito tem na mão uma cenoura bem viçosa a que chama ganhar na Europa. Quer isto dizer que Vieira, ao contrário do que sucedeu nos últimos três anos, não vai olhar a meios para fazer investimentos na equipa de futebol. Não faltarão jogadores para satisfazer as exigências de Mourinho, nem dinheiro para lhe pagar um vencimento bem chorudo e confortável. Longe, em qualquer das circunstâncias, daquilo a que está habituado, mas nada que envergonhe ninguém...

Acabo como comecei: não estou certo que dê certo. Por certo tenho apenas que, neste cenário há pouco inimaginável, José Mourinho e Benfica correm diferentes graus de risco.  São mínimos os riscos que Mourinho corre nesta oportunidade. São muito grandes, enormes, os do Benfica. Como sempre acontece quando se chega ao desepero do "tudo ou nada"! 

05
Jan19

11 Eusébios ... e mais qualquer coisa

Eduardo Louro

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Há cinco anos perdemos o maior símbolo do Benfica. Há cinco anos o Benfica jogou com 11 Eusébios e, no arranque de 2014, virou o campeonato, derrotando o Porto sem apelo nem agravo. Depois de uma época dramática, onde perdera tudo nos últimos minutos dos últimos jogos, e de um arranque pouco menos que penoso, foi aquele jogo com 11 Eusébios nas camisolas, o jogo de arranque para o primeiro de quatro títulos consecutivos. Foi o jogo mãe do tetra, que só não foi do penta e do hexa porque entretanto alguém traiu Eusébio.

O momento actual é porventura mais dramático. Amanhã, com Bruno Lage ao comando, por que não, como há cinco anos, para acreditarmos - agora, sim - na retoma, um Benfica com 11 Eusébios?  

Com 11 Eusébios no campo, e alguém no leme sem complexos nem condicionamentos para dizer "basta" aos escândalos do VAR que se repetem em todos os jogos, ainda vamos a tempo!

Mas se calhar é pedir muito...

29
Dez18

Marcha-atrás?

Eduardo Louro

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O Benfica assegurou a presença na final four da Taça da Liga, com um empate na Vila  das Aves, interromendo a série de vitórias iniciada com a abortada chicotada psicológica, que já ia em sete.

Num jogo que teve muito de regresso ao passado recente, que julgávamos ultrapassado, em que o Desportivo das Aves foi quase sempre melhor. Rematou mais - muito mais - e criou muito mais oportunidades de golo, mesmo que o Benfica tenha tido mais bola e tenha atacado mais. 

Ao intervalo parecia que o Benfica tinha o jogo controlado, mas logo no arranque da segunda parte a equipa da Vila das Aves chegou ao golo, e tudo mudou. Nunca mais o Benfica conseguiu controlar o jogo, entrando numa espiral de instabilidade emocional que deixava a equipa muito vulnerável às inicidências do jogo. 

O jogadores do Aves começavam a cair a torto e a direito, por tudo e por nada. Só que, quando se levantavam, davam sucessivos esticões no jogo, quase sempre levando o perigo à baliza do intranquílo Svilar, e criando sempre mais oportunidades de golo que o Benfica, que o procurava. Foram vinte minutos assim!

Até Sferovic ter feito o golo do empate, numa jogada em que, à vista desarmada, parte em posição legal mas que, com VAR, teria provavelmente sido invalidado. Haveria ali uma unha qualquer adiantada... Já não teria sido necessário VAR para assinalar dois penaltis a favor do Benfica, especialmente aquele na primeira parte, sobre o André Almeida.

Não foram melhores os restantes vinte e quatro minutos. Antes pelo contrário, fazendo levantar muitas dúvidas... Uma das quais é se isto hoje foi uma manobra de interrupção de marcha ou se foi mesmo uma de marcha-atrás. Que em muitas situações é proibida!

 

23
Dez18

Natal de retoma

Eduardo Louro

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Catedral cheia, de novo. Como se nada se estivesse a passar, como se a equipa estivesse a fazer os adeptos acreditarem, como se viesse de grandes jogos, de exibições mobilizadoras...

Os jogadores do Benfica parece que sentiram isso, entenderam que não podiam defraudar aquela imensa mole humana, e partiram para um jogo simplesmente memorável. 

Que até nem começou de forma muito entusiasmante. Nos primeiros 20 minutos era um jogo sem balizas: as equipas jogavam, especialmente o Benfica, com o Braga mais na expectativa, mas ... remates... Nada!

O primeiro foi do Benfica, exactamente à passagem do minuto 20. O excelente remate de Pizi, que deu num grande golo. Logo a seguir a oportunidade para o segundo e, depois, foi a vez do Braga. De cinco minutos de Braga, porque o que se seguiu foi um verdadeiro assalto do Benfica à baliza de Tiago Sá. Deu para o segundo, de Jardel, finalmente a tirar proveito de um canto. Pela primeira vez no campeonato, a primeira, mesmo, tinha acontecido na passada quarta-feira, naquele triste 1-0 em Montalegre, para a Taça.

O Braga estava encostado às cordas, sem saber o que fazer da vida, esperando ansiosamente o intervalo. Mal imaginariam que não lhes valeria de nada, que aquilo era apenas o prenúncio do que estava para vir...

Logo na bola de saída da segunda parte o Benfica podia ter chegado ao terceiro. Não tardou muito, apenas mais dois minutos, num golo todinho de Grimaldo ... de pé direito. O Braga ainda reagiu, chegando ao golo logo três minutos depois. Tanto quanto demorou o quarto, de Jonas.

E o Benfica não levantou o pé, com um grande futebol e com mais dois golos (Cervi e André Almeida) no quarto de hora seguinte. Ainda antes do jogo entrar no quarto de hora final - esse já em ritmo mais pousado - o Braga fechou o resultado num inimaginável 6-2.

O futebol tem esta magia. De um momento para o outro tudo muda. Depois de uma sucessão de fraquíssimas exibições, e de vitórias por 1-0, sempre com uma enorme dificuldade em meter a bola na baliza adversária, o Benfica arranca a melhor exibição da época, atinge o mais volumoso score, num dos jogos com maior grau de dificuldade do campeonato, e faz renascer a esperança dos adeptos e o espírito da reconquista.

Não deixa de ser curioso que isto aconteça nesta quadra natalícia, e na chamada jornada gorda. Perante um adversário directo, que hoje deixou para trás, e quando os restantes abanaram. O Porto sem cair (2-1 no Dragão, perante um Rio Ave que jogou bem melhor) mas em claro défice de produção de jogo, que só não tem consequências na classificação porque os deuses da arbitragem não querem. Nem deixam. E o Sporting a deixar finalmente cair a máscara, feita de estrelinha. Perdeu em Guimarães perante um adversário que desta vez foi sempre melhor (os anteriores já tinham sido melhores, mas apenas em metade do jogo) e que merecia bem mais que o curto 1-0.

E pronto, aí está o Benfica. Saltou de quarto para segundo, e já com o melhor ataque!

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