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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

15
Jun12

EURO 2012 (XIII) - Ingleses lá perto

Eduardo Louro


Festa do golo caiu para o lado da Inglaterra                       

Inglaterra e Suécia disputaram um jogo que poderia afastar quem o perdesse. A Suécia perdeu e é segunda equipa, depois da Irlanda, ontem, a conhecer o seu destino.

Os ingleses, com uma alteração em relação ao jogo inicial com os franceses – entrou Carroll, não para o lugar, mas em vez de Chamberlain – sem que em algum momento praticassem um grande futebol, foram superiores durante a primeira parte. Jogaram então mais adiantados e com maior iniciativa do que o que haviam feito no primeiro jogo, com Gerrard a assumir o comando da equipa e a revelar que beneficia com a ausência de Lampard.

A selecção sueca foi, neste período, uma equipa demasiado dependente da sua estrela – Ibrahimovic. Que, muito recuado, fazia tudo: rematava, conduzia o jogo, transportava a bola…Quase sempre durante demasiado tempo, porque nunca encontrava quem o acompanhasse. Tinha invariavelmente de parar para que alguém chegasse. E, quando finalmente alguém chegava, até parecia que já estava tão aborrecido que não fazia passe de jeito.

 

 

15
Jun12

EURO 2012 (XII) - Insolito

Eduardo Louro

Insólito! Quando tudo parecia bem encaminhado, até o Laurent Blanc decidiu acrescentar valor à equipa, tirando os fiascos do primeiro jogo com a Inglaterra – Malouda, incrivelmente inútil como na ocasião referi, e Evra – substituídos por Clichy e Menéz, uma tempestade das sérias abate-se sobre Donetsk. Aos 4 minutos o árbitro interrompia a partida e, como nunca tinha visto, jogadores e árbitros não abandonaram o campo: fugiam do campo, como se foge de uma carga policial ou de uma catástrofe!

As bancadas ficaram subitamente desertas, não se percebendo onde, de repente, se tinha metido aquela multidão que, minutos antes, enchia um estádio com 50 mil pessoas. Como se a mesma tempestade passasse por cá, de repente, também eu tive que recolher, sem MEO.

 

14
Jun12

O verdadeiro espirito do futebol

Daniel João Santos
Acabei de assistir a momentos extraordinários na vitória da Espanha sobre a Irlanda. Um futebol esmagador espanhol sobre uma seleção esforçada irlandesa. Notável e um exemplo do "fair play" o apoio dos adeptos irlandeses, que a perderem 4 a zero, contaram e cantaram, recebendo o aplauso dos espanhóis. Por momentos, durante a pausa nos comentários, colocar o som da televisão bem alto e ser-se esmagado por tudo aquilo. Quem não sabia o que era o futebol, o verdadeiro e genuíno espírito do jogo, ficou a saber.
14
Jun12

EURO 2012 (XI) - Porta aberta para a especulação

Eduardo Louro


                                   

A Itália, fiel à sua história, vai no segundo empate. Quer dizer, não perdeu com nenhum dos dois adversários mais competentes para discutir o apuramento. Não perdeu com a Espanha, que terá visto mais como colega de apuramento do que como adversário de qualificação, mas também não ganhou, hoje, à Croácia, agora adversário claro na discussão por um dos dois lugares de apuramento.

Foi um bom jogo, mais um. A primeira parte foi mais bem jogada, e a azurri esteve melhor. Deu para dividir nos três quartos de hora que a compõem. No primeiro quarto de hora, no meio de algum equilíbrio, notou-se uma certa supremacia italiana, com três oportunidades para chegar ao golo: duas por Balotelli e uma por Marchisio. O segundo foi de clara superioridade croata, de que não resultou mais do que uma hipótese de chegar ao golo. O terceiro quarto de hora arrancou com nova oportunidade de golo – desta vez Cassano – para a Itália, que dominou claramente nesse período. Com nova grande oportunidade aos 37 minutos, agora por Marchisio, e com finalmente o golo, aos 39 minutos, na marcação de um livre directo sobre o lado esquerdo, por Pirlo, como só ele sabe fazer.

Se Balotelli é o vedetismo, Pirlo é a verdadeira vedeta. À boa maneira italiana, onde os jogadores de topo duram mais que em qualquer outro país, Pirlo está cada vez melhor. Dá gosto ver jogar a selecção italiana só para apreciar a qualidade de jogo de Pirlo!

Basta dizer que, em todo o jogo, falhou um passe. Um único. Foi aos 58 minutos, e quase apetece dizer que não foi ele a falhar o passe, que foi o colega a quem endossou a bola que não fez tudo para a receber!

Do outro lado estava Modric, que fez igualmente um jogo notável. Regressou à segunda parte em grande nível – dois remates nos primeiros três minutos – e durou em alto nível até à hora de jogo. A partir daí caiu um pouco, mas outros cresciam!

 

 

13
Jun12

EURO 2012 (X) - Laranja espremida

Eduardo Louro


A Holanda – uma das favoritas – está em maus lençóis. É uma túlipa murcha e uma laranja espremida, sem sumo.

Tinha pela frente a difícil – mas não a impossível tarefa, como a selecção nacional tinha deixado no ar no primeiro jogo – de ganhar à Alemanha. Até entrou bem no jogo, pertencendo-lhe mesmo a primeira oportunidade do jogo, mas depois o vendaval alemão levou tudo à frente. Aos 24 minutos já Mário Gomez, o suspeito do costume, traçava o destino do jogo, com um golo soberbo: passe fantástico de Schweinsteiger, recepção com um pé, rotação e remate com o outro! A partir daí a Holanda desapareceu do jogo e sucederam-se as oportunidades para a Alemanha, com o segundo golo a surgir aos 38 minutos e o apito final da primeira parte a coincidir com mais uma oportunidade clara de golo.

O primeiro quarto de hora da segunda parte foi mais do mesmo. Esperava-se apenas pelo terceiro golo alemão, que acabaria por não surgir.

 

13
Jun12

EURO 2012 (IX) - Festa não rima com vergonha

Eduardo Louro


Ganhámos, agora vamos todos tratar do coração

Ao minuto 87 do jogo de Portugal e da Dinamarca tinha decidido não escrever uma linha sobre o jogo. Não me apetecia!

Decidi, depois do golo de Varela, nesse minuto, mesmo sem grande vontade e nenhum entusiasmo, escrever algumas linhas sobre um jogo que acabou em festa. Uma festa falsa, porque o tempo é mais de vergonha que de festa.

Provavelmente haverá muita gente que não concordará comigo. Mas não se percebe a mentalidade instalada na selecção nacional. Num jogo que tinha de ganhar – “só temos de ganhar”, dizia ontem Paulo Bento (eu sei que ele não joga, mas parece!) – contra um adversário que, tem que se dizer, joga pouco mais que nada, em que se apanha a ganhar por dois a zero sem muito ter feito para isso – duas oportunidades dois golos, coisa rara, tão rara e invulgar como o golo de Postiga que não o redime de coisa nenhuma – a equipa não conseguiu comandar o jogo. Nem sequer controlá-lo!

No fim da primeira parte – 41 minutos – sofreu o 2 a 1 pelo inevitável Bendtner - cuja especialidade é marcar à selecção nacional - no primeiro remate à baliza que a equipa da Dinamarca efectuou. Um golo consentidíssimo, com toda a defesa parada e com o Rui Patrício – se o Sporting estava à espera que se valorizasse para fazer dinheiro, até aí tem azar – aos papéis. Não desfez o cruzamento inicial, como lhe competia e, desposicionado, ficou sem qualquer hipótese de interceptar o segundo. Fatal. E sabe-se o que é passar um resultado de 0-2 para 1-2. Em qualquer altura, mas especialmente à saída para o intervalo.

 

 

12
Jun12

EURO 2012 (VIII) - Afirmação da Polónia*

Eduardo Louro


                          

Grécia e República Checa abriram a segunda jornada desta fase inicial do euro, num jogo que muito prometeu e pouco cumpriu. Na verdade quem muito prometeu foi a selecção checa, a grega não prometeu nada, encontrou-se simplesmente à deriva no meio de uma tempestade com rajadas de vento a mais de 100 à hora do quadrante checo e chuvas torrenciais de erros no centro da sua defesa.

Bastaram dois minutos e doze segundos para os checos marcarem o primeiro golo, agora o mais rápido deste europeu. E, passados apenas 23 segundos dos 5 minutos, marcavam o segundo. Ambos em resultado daquelas condições climatéricas!

Pouco depois, a Grécia perdia o guarda redes Chalkias – com responsabilidades em ambos os golos, em especial no segundo – por lesão, carregando ainda mais de negro as nuvens daquele céu grego. Não se confirmariam as previsões mais pessimistas. A equipa checa foi baixando o ritmo de jogo e os gregos puderam começar a pôr a cabeça de fora.

Ao ponto de o jogo ir ficando equilibrado à medida que o intervalo se aproximava, com os gregos a marcarem, ao minuto 41, o golo que poderia marcar a viragem. Só que, pela segunda vez em dois jogos, a arbitragem invalidar-lhes-ia um golo. O árbitro francês – que arbitrara o jogo da selecção nacional – repetiu o que o espanhol já lhes havia feito, e assinalou um fora de jogo inexistente. Voltaria, mais tarde, a repetir um erro idêntico interrompendo uma jogada que bem poderia ter terminado em golo.

Ao intervalo a ideia que ficava era a de uma selecção grega infeliz e desafortunada, à imagem do país. Tudo aquilo repetia o primeiro jogo. E para que fosse assim, segunda parte foi diferente. Foi toda ela dos gregos!

 

 

 

12
Jun12

Euroconvicções

Eduardo Louro

Há os eurocépticos e os euroconvictos! Paulo Bento pertence ao segundo grupo.

Para o reafirmar esclareceu logo no início da conferência de imprensa que "joga este que está aqui ao meu lado".

Como é ténue a fronteira entre a convicção e a teimosia...

Ao seu lado, Hélder Postiga garantia que iria "manter a mesma postura"... Quer dizer, correr de um lado para o outro, sem cheirar a bola, compensando-se nas canelas dos adversários!

Pode ser que, mesmo a jogar com dez, se ganhe. E que veja mais um amarelo - mas só um, nada de exageros - para que no terceiro jogo fiquemos livres deste pesadelo!

 

11
Jun12

EURO 2012 (VII) - O Euro a duas velocidades*

Eduardo Louro


Velhos são os trapos! (SAPO)                    

Com os jogos do grupo D concluiu-se hoje a primeira ronda desta fase de grupos do Euro.

Um clássico a abrir: França – Inglaterra!

Um jogo sempre de expectativa alta, mas que saíram completamente frustradas. Uma selecção inglesa desfalcada que, ao que pareceu, não tem mais para dar… Deu pouco - muito pouco – mas, lá diz o povo: quem dá o que tem a mais não é obrigadoLes bleus – que têm muito mais para dar – apesar de superiores aos ingleses, é que ficaram a dever muito!

As estrelas da selecção francesa não brilharam, à excepção de Nasri mas, mesmo assim, apenas na primeira parte, que não foi só o tempo dos golos, foi também a parte melhor – menos má – do jogo. Pouco Bemzema e pouco Ribery. E nada, absolutamente nada, de Malouda, um jogador que não tem como justificar a sua presença no onze. Tem duas velocidades: parado e passo lento. Se a bola lhe passar a um palmo do pé já não é para ele!

Foi mesmo daqueles jogos típicos desta fase da prova, mesmo enfadonho e pastoso. Com um ou outro safanão, mas não mais que isso. Onde a Inglaterra cometeu a proeza de, num jogo inteiro, fazer três remates. Que lástima, esta selecção inglesa!

Ouviram-se assobios e muitos, daqueles que os nossos jogadores e o staff da nossa selecção não gostam. Justificados, porque aquilo não prestava mesmo!

O resultado foi o de maior frequência nesta primeira ronda:1-1.

 

 

10
Jun12

EURO 2012 (VI) - PIIGS*

Eduardo Louro


                                                                      

A jornada número 3 ocupou-se do grupo C.

Neste Euro, onde todos queriam entrar, estão todos os PIIGS. Nem todos lá se aguentarão por muito tempo, mas estão lá. E estão em força neste grupo C. Só lá faltam Portugal e a Grécia, e só a Croácia destoa. Mas nem muito!

Ali estão os II – Itália e Irlanda – e o S, de Spain. A Croácia não integra sigla, mas não está longe. E está lá depois de ser resgatada, como a Irlanda e Portugal. Não pelo FMI e pela União Europeia, mas pelo Play-off. Que reuniu os que não cumpriram os critérios de qualificação: simplesmente o primeiro lugar no grupo de apuramento e ainda o melhor segundo classificado de todos, que foi a Suécia, como nos lembramos.

E o grupo arrancou no dia seguinte ao resgate da Espanha, ou ao da abertura de uma linha de crédito, no inimaginável eufemismo de Rajoy!

Deixemo-nos destas coisas e passemos à bola, que é o que interessa. E aí, Itália e Espanha mostraram que este é um grupo a duas velocidades e com pouca coesão. E que sem eles não há Euro!

Foi o melhor de todos os jogos que já se disputaram, com boa parte dos melhores players deste mercado. A Espanha com o seu tiki-taka, que não sendo bem o que era, mantém a espectacularidade e garante a alta qualidade do seu jogo. Jogou sem avançados, sem ponta de lança, (quem é que sai para dar lugar a um ponta de lança?) mas nem isso é surpresa. Aqueles jogadores sabem fazer tudo, até marcar golos. Iniesta disse - sem falar, apenas a jogar – que está ali para fazer um grande Euro, e para ser uma das principais figuras da competição. E a jogada do golo, Xavi – David Silva – Fabregas, mostrou que não é preciso pontas de lança para marcar golos. E dos bonitos!

Não vai ser fácil expulsá-los do Euro. Porque são demasiado grandes! Mas também não vi razões para alterar o meu prognóstico inicial

A Itália confirmou as expectativas e parece querer confirmar a História, como aqui tinha referido na antevisão da prova. Quando rebentam broncas no calcio, a azurri aí está para as curvas, pronta a surpreender tudo e todos. Tem dedo táctico - surpreendeu com três centrais - e tem Pirlo – sempre em grande –, Baloteli e as suas excentricidades que não trazem muito ao jogo mas que o apimentam, Cassano… E Di Natale - para entrar quando deixa de haver paciência para Baloteli - cuja profissão é marcar golos. E que golo ele marcou!

Este era um jogo que tinha tudo para ser daqueles jogos fechados, rodeado de cuidados, jogado para não perder. E não foi nada disso. A azurrie a roja quiseram ganhar e jogaram para isso. Cada uma com as suas armas, que são muitas e boas!

O segundo jogo do dia e do grupo juntou os resgatados. A Irlanda, finalmente resgatada, muitos anos depois e apenas dois depois da anterior tentativa - na altura para o Mundial da África do Sul – escandalosamente negada por uma arbitragem (?) que decidiu que era a França que lá deveria estar, através daquele golo de Henry com a mão. De Trapatoni, o mais velho treinador da prova e a última das velhas raposas! E a Croácia, resgatada à custa da Turquia (a Europa deixa-a sempre de fora), que há uma semana nos deixou à beira de um ataque de nervos.

Não foi um mau jogo, mas esteve longe de ser bom. A Irlanda mostrou que não tem condições para se aguentar. É composta por jogadores actualmente de segunda linha da liga inglesa, alguns deles já apenas são nomes. A Croácia apresentou uma equipa fisicamente muito forte e com a qualidade técnica que lhe é reconhecida. Onde a estrela Modric, muito recuado, não brilhou tanto quanto seria de esperar.

O jogo ofereceu o golo mais madrugador de sempre em europeus, logo aos dois minutos, num frango de Given, o guarda-redes irlandês. Que voltaria a não ser feliz – mas dessa vez infelicidade pura – no terceiro e último golo croata, também logo aos três minutos da segunda parte. O resultado (3-1) é aquilo a que se pode chamar escrever direito por linhas tortas. A Croácia foi superior e ganhou bem – nunca vi uma equipa de Trapatoni defender tão mal – mas a arbitragem holandesa influenciou decisivamente o resultado, validando mal o segundo golo croata e negando um penalti – cometido mesmo à frente do árbitro – à Irlanda.

A Croácia segue na frente. Não lhe deverá servir de muito, porque não conseguiu mais do que certamente conseguirão Espanha e Itália frente à fraquinha Irlanda!

 

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