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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

17
Abr14

Uma história de campeões

Eduardo Louro

 

 

O Benfica está na final da Taça de Portugal, como não podia deixar de ser. Com tanta naturalidade que até pareceria que o jogo não teve história. E no entanto teve. Teve história e muitas estórias. De tal forma que só campeões, como inequivocamente são estes jogadores do Benfica, o poderiam ganhar da forma como o ganharam!

O Benfica foi sempre superior ao Porto. Foi melhor no pouco tempo – 25 minutos – em que pôde jogar com tantos jogadores como o adversário, e continuou a ser melhor nos restantes 65 minutos em que jogou com menos um. Começa aqui a primeira das muitas estórias do jogo, com a incrível expulsão do Siqueira.

Incrível porque o Pedro Proença lhe mostra o primeiro amarelo quando nem falta cometeu. E o segundo claramente a pedido, já fora de tempo. Mas mais incrível ainda porque um jogador profissional desta dimensão não pode, em circunstância nenhuma e muito menos com este árbitro, cometer a falta que lhe valeu, dois minutos depois, o segundo amarelo e a consequente expulsão.

A partir daí o Benfica não perdeu apenas um jogador. Perdeu o único lateral que lhe restava, quando já tinha entrado sem o Luisão, sem o Fejsa, sem o Ruben Amorim… Foi por ali, por aquele espaço, que entrou o Varela para fazer o também incrível golo do Porto – que lhe dava então o conforto do empate, e ao Benfica o pesadelo de, com menos um, ter de marcar mais dois golos sem sofrer nenhum – na única oportunidade em todo o jogo.

De expulsões se fazem também outras estórias. A de Quaresma, que a pediu durante quase todo o jogo, sem que Pedro Proença estivesse para aí virado. De tal forma que, quando aos 88 minutos o árbitro lhe fez finalmente a vontade, se mostrou reconhecidamente agradecido. E as dos dois treinadores, uma singularidade…

O resto é uma história fantástica de uma fantástica equipa de futebol, feita de verdadeiros campeões. Porque só campeões não virariam a cara àquele jogo. Só campeões lutavam daquela maneira contra a adversidade e se superiorizavam tão claramente a um adversário que fazia deste o jogo da época. Entre os quais André Gomes, o herói improvável mas o grande herói desta história. Aquele golo não vale apenas o apuramento para a final do Jamor, é o momento mágico desta que é a história deste dia de clássico!

 

27
Jan14

Sem estratégia

Eduardo Louro

Já passaram dois dias e do Benfica ninguém desmentiu a venda dos direitos desportivos e económicos de André Gomes. Mesmo que, tanto quanto neste momento se sabe, a operação ainda não tenha sido comunicada à CMVM – nem esta entidade, ao contrário do habitual, tenha exigido qualquer esclarecimento – sou levado a dá-la por facto.

Não faço a mínima ideia se a venda do passe de André Gomes pelos propalados 15 milhões de euros, é bom ou mau negócio. Trata-se de um jovem que, apesar de deixar a ideia que é avesso a altas intensidades, já demonstrou com clareza que poderá vir a ser um jogador de primeira água, em que o Benfica, através deste seu treinador, pareceu apostar menos do que se justificaria. Logo, tanto poderá dizer-se que ainda não justificou tão elevado montante, como que tem potencial para a curto prazo valer mais do dobro. Não se pode por isso pôr em causa o valor da venda; apenas a sua oportunidade.

Mas nem mesmo isso é, do meu ponto de vista, o que mais importa. E assim sendo não é sequer a venda de André Gomes o que de mais importante tem a venda de André Gomes. O que de mais importante há para concluir desta operação é que o Benfica está sem estratégia, a navegar à vista e com muito pouca clareza, coisa de que há muito se desconfiava.

O presidente Luís Filipe Vieira começou a época, há apenas 5 meses, com aposta estratégica na Liga dos Campeões, razão pela qual recusou qualquer venda. O Benfica não estava obrigado a vender, e em ano de final na Luz justificava-se apostar tudo. Quatro meses depois, porque afastado desse sonho, o Benfica já era obrigado a vender. E por qualquer preço, como se começou a perceber… E sem nexo causal, as necessidades de encaixe já satisfeitas (40 milhões) não têm nada a ver com o prejuízo financeiro (10 milhões, no máximo) da saída da chamada liga milionária…

E muda de estratégia, que passa da aposta na Champions para a aposta no Seixal, na formação, o que, como se percebeu, abriu uma zona de conflito com o treinador. Para de imediato vender justamente o produto em curso em mais adiantado estado de acabamento.    

Estratégia é, por definição, um caminho claro e longo. Mudar de caminho ao sabor do que quer que seja pode ser muita coisa. Estratégia é que não!

Tudo isto é errático. E nada claro. O André Gomes não foi vendido a um clube, como é normal. Foi vendido a um empresário, coisa que LFV sempre disse não admitir no Benfica. Jorge Mendes irá agora cedê-lo a quem e nas condições que entender. Poderá até colocá-lo no Porto, que até acabou de deixar partir o Lucho Gonzalez…

 

30
Out12

Jorge Jesus

joaopaulo74

O Sport Lisboa e Benfica tem uma característica única - não sei se boa, se má: os sócios e adeptos têm opinião e não se limitam a dizer que sim. Reconheço que há quem ganhe mais em ditadura, mas enfim.

Vem isto a propósito da análise de Jesus ao jogo de Barcelos.

Três jogadores: Luisinho, John e André Gomes fizeram a estreia na equipa principal. Tiveram, todos, prestações ajustadas ao jogo em causa. Não foram brilhantes, mas cumpriram e dois até conseguiram marcar.

Sobre isto Jorge Jesus, em público, diz que: para aqui (entenda-se campeonato) até vai dando.

Confesso que ao ouvir isto na rádio não queria acreditar - então não seria mais correcto, em público, dar um banho de energia positiva à equipa e aqueles jogadores em particular?

Já todos sabemos que quem sabe muito de futebol é ele, que a experiência é tudo, que uns falam e outros fazem - sabemos isso tudo.

Mas sabemos também, caro Mister, que somos adeptos do MAIOR clube do mundo e por isso, aqui, só há uma forma de avaliar os nossos jogadores em todos os jogos: são os melhores do mundo, ok?

28
Out12

Os 3 golos do BENFICA em Barcelos

joaopaulo74

O jogo correu da melhor forma possível - com muitas alterações no onze inicial, uns dias depois de uma viagem desastrosa a Moscovo, o jogo não

poderia ter começado melhor. Com 1 minuto e 28 segundos Lima cabeçeou para a baliza, respondendo a um cruzamento, da direita, do Maxi.

Perto da meia hora, uma excelente jogada do lado esquerdo - neste jogo com Ola John e Luisinho - e Luisinho, no centro da área a empurrar para o segundo.

Ainda antes do intervalo, mais uma estreia, mais um golo: André Gomes, o puto da equipa B, a facturar depois de alguma insistência dentro da área.

Com estes três golos na primeira parte, a história do jogo estava escrita e na segunda pouco ou nada aconteceu de muito significativo.

Pareceu fácil e foi fácil - mérito das caras novas do onze inicial que souberam agarrar a oportunidade.

 

(a imagem é do Jornal Público)

18
Out12

Vamos lá a ver se é desta...

Eduardo Louro

Sem grande história este jogo de estreia do Benfica na Taça, uma competição que há muito não ganha. Desde 2004, quando ganhou ao Porto de Mourinho. Voltaria a marcar presença na final no ano seguinte, quando podia e devia ter feito a dobradinha, mas, por inexplicável negligência e irresponsabilidade – com a equipa a perder-se nos festejos do título e até com uma viagem à Hungria, em romagem ao túmulo do saudoso Miklos Feher – acabaria por permitir que a Taça fosse para Setúbal.

Para a História fica o resultado de 4-0, a presença dos dois candidatos - ou melhor, de um candidato e do presidente - na terra do capão, e o Benfica mais português dos últimos anos, com a utilização de cinco jogadores portugueses, todos eles em bom plano, apesar do André Almeida – utilizado como lateral direito – precisar claramente de afinar o último passe e o cruzamento. O Paulo Lopes fez duas defesas que evitaram outros tantos golos, e o Luizinho, que não começou bem, foi crescendo, ganhando confiança e acabou em bom nível. O André Gomes confirmou, com um golo de grande execução mas não só, as esperanças que os benfiquistas nele depositam: está ali um grande jogador de futebol!

O Carlos Martins esteve muito bem e é claramente um jogador que faz muita falta na equipa. É criterioso, pensa e percebe o jogo como mais ninguém. Tem uma capacidade de passe ímpar e remata de fora da área como mais nenhum outro. Pena que, neste regresso, tenha sido o primeiro a sair, ainda antes da hora de jogo. Saiu visivelmente insatisfeito. Não havia necessidade…

Esteve mal Jorge Jesus: substituiu-o pelo Bruno César, que entrou para o meio, quando, minutos depois, substituiria o Salvio pelo André Gomes, que foi ocupar a posição momentânea do Chuta-Chuta, que passou para a posição que era do argentino, na ala direita. Fosse Jorge Jesus verdadeiramente competente na gestão deste tipo de pormenores – que rapidamente se transformam em pormaiores - e a primeira substituição seria directamente de Salvio por Bruno César, substituindo de seguida Carlos Martins por André Gomes. Mas já sabemos que o mestre da táctica tem grande dificuldade em lidar com a gestão de sensibilidades!

Fecha-se como se abriu: a Taça anda a fugir há muito. Vamos lá a ver se é desta…

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