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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

03
Mar19

O clássico confirmou um Benfica enorme

Eduardo Louro

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Voltou a ser Dia de Clásico e, como se esperava - esta equipa é como o algodão, não engana - o Benfica foi ao Dragão confirmar que está, e que é, melhor que o Porto. 

Num grande jogo, intenso, muito disputado e na maior parte do tempo muito bem jogado, o Benfica foi enorme. A grande a expectativa para este jogo era a de saber como o Porto iria entrar. Se, aproveitando o ambiente do Dragão, iria entrar pressionante, a roubar todos os espaços ao Benfica e a disputar todas as bolas, e isso quereria dizer que acreditava que era melhor e que não temia o adversário. Não entrou assim, tentou apenas dividir o jogo, parecendo entender que isso seria correr riscos. E com isso mostrou receio do Benfica!

O Benfica entrou como tem entrado em todos os jogos, instalando logo no relvado do Dragão o seu futebol. E com isso apropriou-se  do melhor futebol que o jogo tinha para dar, e foi sempre superior. 

Nem o golo do Porto, logo aos 18 minutos e irregular - o Pepe, em fora de jogo, baixou-se para a bola seguir para dentro da baliza - , alterou os dados em que o jogo estava lançado. O Benfica já era superior, Casillas já tinha negado dois golos, e o árbitro Jorgr de Sousa já tinha perdoado um penalti ao Porto, por falta clara sobre Pizzi, na área.

O empate, por João Félix, surgiu com toda a naturalidade apenas oito minutos depois do golo mentiroso do Porto. E os vinte minutos que tardaram até ao intervalo continuaram  a ser de clara superioridade técnica e táctica da equipa de Bruno Lage. Do Porto pouco mais se viu que pequenos detalhes, entre os quais o de Pepe fazer de Felipe um santinho...

A segunda parte não abriu em moldes muito diferentes, mesmo que o Porto começasse a mostrar que pretendia equilibrar a contenda. Aconteceu que a primeira oportunidade da segunda parte pertenceu ao Benfica, numa jogada de grande qualidade concluída por Rafa, já a imagem de marca desta equipa. Estavam jogados apenas sete minutos neste período complementar.

O Porto reagiu à desvantagem, é certo, mas sem nunca assegurar o domínio do jogo. Só verdadeiramente incomodou, e criou uma ou duas oportunidades, nos últimos 15 dos 94 minutos do jogo, quando Jorge de Sousa expulsou o melhor jogador em campo. Gabriel nunca tinha jogado com o Porto, e provavelmente não sabia que neste jogos a mínima distracção é a morte do artista. Reagiu à provocação do Octávio - quem havia de ser? - e foi para a rua. Coisa que não aconteceu, nme nunca aconteceria, a Alex Telles, a Pepe ou a Brahimi...

Bruno Lage ("agradeço aos jogadores que estão a fazer de mim treinador" - é a frase que vai marcar este campeonato) tratou bem do assunto: trocou Pizzi por Gedson, Rafa por Corchia, para dispôr de André Almeida no meio, e João Félix por Cervi para ajudar a fechar nas alas  Em inferiorodade numérica nos de 15 minutos, o Benfica mostrou que, com 10 ou com 11, é sempre uma verdadeira equipa.

Em nove jogos, o Benfica de Bruno Lage e dos seus miúdos, ganhou 9 pontos ao súper Porto do súper Sérgio Conceição. De 7 de atraso, a 2 de vantagem. À média de 1 ponto por jogo. Notável e fora de todas as cogitações há dois meses atrás!

 

28
Fev19

Dia de parabéns

Eduardo Louro

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Hoje é dia de ... "parabéns". O Benfica sopra 115 velas. Parabéns SLB, glorioso SLB!  

Acontece que quando o Benfica está de parabéns, o Dia de Clássico está lá perto. Algures entre hoje e amanhã soprará as suas 7 velas. Parabéns Dia de Clássico!

Nasceu a 29 de Fevereiro de 2012, e por isso só para o ano terá direito a celebrar, e apenas pela segunda vez, o seu aniversário. Mas foi há sete anos, curiosamente também a poucos dias de um clássico. Curiosamente também, como agora, a 2 de Março. Na altura (na imagem) na Luz, e o Porto ganhou por 3-2...

Com polémica, como sempre. Com o Benfica a jogar com 10, e aquele golo do Maicon, em falta, à beira dos 90 minutos.

 

 

26
Fev19

Hoje no menu havia tiki-taka

Eduardo Louro

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Em véspera do jogo de (quase) todas as decisões o Benfica voltou a mostrar o seu grande futebol, com os jogadores a dizerem aos adeptos: "keep calm", nós estamos cá!

O jogo até nem começou lá muito bem, foram até do Chaves o primeiro remate e, logo depois, a primeira oportunidade de golo. Não passaram no entanto de meros incidentes de jogo, logo se percebeu que o Chaves pretendia apenas manter-se fechado lá atrás, com duas linhas de cinco jogadores muito juntas, sem espaço para lá entrar quem quer que fosse.

Como este Benfica transforma cada ameaça numa oportunidade - as ausências de André Almeida e Ferro foram simplesmente oportunidades para duas boas exibições de Corchia e Samaris, a central - este posicionamento da equipa flaviense foi a oportunidade para mostrar o tiki-taka que ainda não tinha apresentado. E sufocou o adversário, retirando-lhe todo o ar que precisava para respirar. 

O primeiro golo, aos 18 minutos por Rafa, então o rematador-mor da equipa, nasceu disso mesmo, desse sufoco. Que não fez o Chaves alterar a estratégia que trouxera para a Luz, pelo que o Benfica continuou com o seu tiki-taka, com momentos de grande brilhantismo. Só com o segundo, aos 37 minutos, por João Félix, o Chaves abandonou o sistema das duas linhas defensivas encostadas, permitindo ao Benfica passar ao segundo acto, então com o jogo mais esticado, onde Gabriel (o melhor em campo e de luto, no dia da morte da avó) é um solista emérito. Não rendeu mais que um golo, este segundo acto. por Seferovic, a ilustrar bem a qualidade deste seu futebol mais vertical.

Com 3-0, em nove oportunidades claras, pela Luz passou a lembrança do que se passou com o Nacional, há quinze dias. Mas na segunda parte as coisas acabaram por correr de forma algo diferente. Até porque o desperdício de três ou quatro grandes oportunidades logo no arranque, e mesmo a arbitragem de Manuel Mota, sempre na linha do costume, prolongaram o resultado da primeira parte até próximo do fim do jogo. E isso, e provavelmente já com o próximo jogo na cabeça dos jogadores, levou-os a abrandar o ritmo. E nalguns momentos alguma concentração, mesmo que nunca abaixo do níveis de compromisso que são a marca desta equipa.

Foi então oportunidade de matar um pouco "da fome de bola de Jonas" - a tempo de ver mais um amarelo das mãos de Manuel Mota, e de fechar o marcador nos 4-0, já em cima do minuto 90 - e de estrear mais um puto maravilha: Jota, pois claro!

E agora ... vamos esperar tranquilamente pelo Dragão. E pelo que, até lá, de lá certamente virá!

21
Fev19

A eficácia conta

Eduardo Louro

Liga Europa: Benfica-Galatasaray, 0-0 (crónica)

 

O Benfica (dos meninos) apurou-se para os oitavos de final da Liga Europa ao empatar, sem golos, com o Galatasaray no jogo da segunda mão, esta noite na Luz, naquela que terá sido a menos conseguida exibição desta era Bruno Lage. 

A qualidade daquele futebol exuberante que tem patenteado apenas apareceu a espaços neste jogo. Não foi, nem perto disso, tão constante quanto tem vindo a ser. Pode haver outras justificações, pode até colocar-se a hipótese de a equipa estar, individual e colectivamente, a sair do topo da curva de forma que vinha apresentando - estas coisas são sempre representadas por uma curva - mas há duas atenuantes: a própria competição, e a forma como se decide, por um lado e, por outro, a quebra abrupta na eficácia de finalização.

O resultado muito favorável da primeira mão, numa competição a eliminar, condiciona sempre a atitude estratégia de qualquer equipa. Isso foi decisivo na abordagem do jogo, e pode ter tido suficiente influência nas intermitências da qualidade exibicional. Da mesma forma que, se tem tido um coeficente mínimo de aproveitamento na meia dúzia de oportunidades de golo que, mesmo assim, criou, a confiança aumentaria e a equipa ficaria menos exposta à possibilidade de falhar nalgumas decisões, e particularmente no passe. E provavelmente não estaríamos a falar de um jogo menos conseguido, mas num jogo na linha dos anteriores.

Porque, em Istambul, há uma semana, como hoje, em Lisboa, o Benfica foi sempre superior ao adversário que é uma equipa de Champions, e não uma das mais fracas das que estavam nesta competição. Às seis oportunidades claras de golo que o Benfica construiu, o Galatasaray respondeu com uma, duas no máximo. Incluindo aquela, aos 85 minutos, que o árbitro anulou, ao assinalar fora de jogo no remate defendido por Odysseas, antes da recarga que levaria a bola para o fundo da baliza. Numa decisão muito contestada por Fatih Terim que, de resto, não fez outra coisa aolongo de todo o jogo. Só não constestou nos dois penaltis por assinalar a favor do Benfica. Nem nas vezes que o árbitro romeno perduou o segundo amarelo ao Marcão. Nem nas vezes que os seus jogadores cobravam os livres largos metros à frente do local da falta assinalada ...

Enfim ... turcos. Tão parecidos com os portugueses...

18
Fev19

Assim, até o impossível deixa de o ser!

Eduardo Louro

(Foto de A Bola)

 

Mais um passo nesta caminhada imaculada que o Benfica iniciou ainda não há mês e meio, com mais uma exibição de excelência, esta noite na Vila das Aves.

Na linha do que vem acontecendo, o Benfica entrou muito forte e marcou cedo. Desta vez, logo aos três minutos, numa fantástica execução de Seferovic. Num jogo que se advinhava de elevado grau de dificuldade, bem percebida por Bruno Lage, como tinha dado a entender nas opções para a deslocação à Turquia, contra um adversário moralizado pela sequência de resultados depois da substituição de José Mota por Augusto Inácio, que joga muito fechado, num campo já de si mais pequeno, marcar cedo poderia ser decisivo. 

Durante o quarto de hora seguinte o Benfica continuou a mandar no jogo, e a criar mais uma ou outra oportunidade. Depois, o detentor da Taça de Portugal, começou a discutir mais o jogo no meio campo, a ganhar alguns duelos e a maioira das bolas divididas, e a conseguir soltar os seus dois jogadores mais avançados, sempre muito rápidos, fisicamente fortes e ... com muita matreirice.

Foram 10 a 15 minutos de jogo dividido. Aos 36, Rafa, em mais uma execução fabulosa, faz um golo extraordinário e o Benfica voltou a controlar e a comandar o jogo. Na entrada para a segunda parte o domínio passou a ser avassalador, com o terceiro golo a fugir por três vezes, em menos de 10 minutos. Acabaria por surgir ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora, numa inteligente execução do miúdo Francisco Ferro, a fechar as portas ao resultado quando pareciam abertas as de mais uma goleada. Que só fugiu porque, cinco minutos depois, o autor do terceiro golo viu um justificada expulsão interromper-lhe mais uma exibição de grande categoria.

Com menos um jogador, e com meia hora para jogar, previam-se então as esperadas mas nunca confirmadas dificuldades do Benfica. Acabaram por nem assim chegar, a equipa adaptou-se à nova realidade (Samaris recuou para central), e acabaram ainda assim por lhe pertencer as melhores oportunidades para voltar a marcar. 

Não ha dúvidas. Nesta altura a equipa não tem medos. E os adeptos também não, mesmo que saibamos, ou tenhamos de saber, que não é possível ganhar sempre. Não há equipas que ganhem sempre. Um dia isso não irá acontecer. Esperemos é que não seja tão depressa, e que este futebol de sonho se possa prolongar pelos próximos meses. Porque, a jogar assim, até o impossível pode acontecer!

14
Fev19

Miúdos com chama imensa

Eduardo Louro

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O Benfica, este Benfica de Bruno Lage e dos miúdos, foi a Istambul buscar a primeira vitória em solo turco. Mas, mais do que isso, foi ao terreno do Galatasaray resgatar o prestígio perdido, e confirmar que nada do que se está a passar é fruto do acaso. 

Bruno Lage optou por deixar em Lisboa três jogadores nucleares da equipa: Grimaldo e Pizzi por óbvia sobrecarga de jogos, e Jonas porque a sua condição física tem que ser gerida com pinças. Já em Istambul optou ainda por poupar André Almeida, que tem participado em todos os jogos ao longo da época,  Rafa, que vem de uma lesão e que deve implicar cuidados, e Gabriel, sem tanta carga de jogos acumulada, mas em todos os últimos jogos desta nova era. 

No total, seis jogadores sairam da equipa, que apresentou outros tantos, seis, nada menos, miúdos do Seixal. Tudo isto no chamado inferno de Istambul, e perante um adversário recheado de jogadores de grande experiência e com nome no futebol mundial. É obra!

Bruno Lage conhece-os, sabe do que valem. E sabe que não o deixam ficar mal. E não deixaram. Os miúdos foram soberbos. Rúben Dias (já capitão), Ferro, Florentino, Gedson e João Félix jogaram como grandes craques, jogadores feitos. Yuri Ribeiro, o sexto, não atingiu esse patamar, mas não comprometeu. longe disso.

Entraram no jogo sabendo bem o que tinham a fazer, naquele ambiente meio fantástico, meio louco. Sem medo, e com a lição na ponta da língua. E tomaram conta do jogo, passando por cima do decisivo primeiro quarto de hora sempre por cima do jogo. Depois a equipa turca equilibrou e passou até por uma fase de alguma ascendência, definitivamente encerrada com o primeio golo do Benfica, num penalti convertido por Salvio, ia o jogo apenas no minuto 25. 

A partir daí, o Benfica controlou sempre o jogo, nunca tendo passado pelo sofrimento que praticamente todas as equipas passam naquele estádio. Iniciou a segunda parte a jogar o futebol de qualidade que tem apresentado, e foi contra a chamada corrente do jogo que, bem cedo, sofreu o golo do empate, mal sofrido, no seguimento de um lançamento lateral.

Nem mesmo chegando ao empate bem cedo, logo aos 10 minutos da segunda parte, e com o inigualável apoio do seu público, o Galatasaray conseguiu empurrar o Benfica para a sua área e limitar-lhe o alcance da sua qualidade de jogo. É certo que o Odysseas salvou o golo do empate, ao minuto 90, com uma defesa espectacular, mas o Benfica, antes e depois do golo da vitória, numa excelente finalização de Seferovic, criou sempre mais oportunidades. 

E, quando se esperava o assalto final da equipa turca, foi o Benfica a manter a bola e a fazê-la rodar pelos seus jogadores.

Não foi, nem com tantas alterações na equipa poderia ter sido, uma exibição fantástica, ao nível da elevada fasquia a que estamos habituados. Mas foi suficente para se superiorizar a um adversário que não é nenhuma pêra doce.

E suficiente para manter bem viva a chama imensa!

11
Fev19

Dez (de) Chalana(s)

Eduardo Louro

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Não se adivinhava fácil este jogo de hoje na Luz, engalanada para comemorar o 60º aniversário do nosso mágico, o inesquecível Chalana, a passar mais uma vez por momentos difíceis. Como tanto lhe tem acontecido…

Pelo adversário, o inconstante Nacional de Costinha, capaz do melhor – pôs Alvalade em sentido quando o Sporting respirava os melhores ares do arranque de Keizer, e assustou o Dragão, apesar de tudo - e do pior, reflectido na defesa mais batida da competição, o que leva sempre a desconfiar, mas por si próprio. Pela euforia que indesmentivelmente se sente nos adeptos à volta da equipa e porque, se até agora o desafio era não perder terreno para a frente, agora era o da aproximação decisiva, do penúltimo ataque ao primeiro lugar da Liga, há muito dado por irreversivelmente utópico.

Depois de irrepreensivelmente cumpridos os desafios do início da segunda volta, os tais testes dados por inultrapassáveis por Bruno Lage, este era mais um desafio, mas agora à maturidade competitiva da equipa. Vencida a batalha exibicional, agora era a batalha da consistência competitiva, o velho chavão do estofo, introduzido no léxico da bola há umas décadas pelo mentor da guerra norte/sul. No futebol, e não só…

Pode parecer despropositado começar com esta introdução para escrever sobre um jogo que acabou em 10-0, um resultado invulgar, verdadeiramente excepcional. Histórico!

Não me parece. A envolvência era aquela, e os desafios estavam lá, e eram aqueles. E a resposta foi esta, a confirmar o estofo desta equipa que está a praticar um futebol de sonho. Perfeita, com uma exibição de luxo, coroada com 10 golos. Dez. Do número da gloriosa camisola de Fernando Chalana!

Um resultado de 10-0 não se explica. Saboreia-se. Desfruta-se, responsavelmente. E com humildade. E com respeito, muito respeito pelo adversário. Como o Benfica fez, como fizeram os jogadores e o treinador. A exibição sim, essa explica-se. E explica-se pelo que o Benfica tem vindo a fazer, pelo extraordinário crescimento da qualidade de jogo em apenas um mês. Pela qualidade de jogadores fantásticos que, há um mês, não passavam de jogadores banais, perdidos em campo sem saber o que fazer, incapazes de correr, ou sequer de saber para onde correr. Se pudessem...

Poderá dizer-se que um golo na bola de saída, aos trinta e poucos segundos, ajuda. Sem dúvida nenhuma que é melhor começar o jogo a ganhar que a perder. Mas todos nos lembramos que, há muito pouco tempo, também o Benfica entrou a ganhar no jogo com o Moreirense, na Luz. E do que se seguiu…

O golo no pontapé de saída, que começou a ser construído a partir da defesa, não foi um incidente do jogo. Foi a afirmação da qualidade do jogo que está implementada, da vontade da equipa em iniciar o seu trabalho logo ao primeiro segundo, e da consciência do que estava em jogo, conforme aquela introdução inicial, não tão despropositada quanto poderia parecer.

A partir daí tudo foi fácil. Fácil e muito bonito, porque são as coisas fáceis que fazem o futebol bonito. Ora em jogadas envolventes, com requintes técnicos de arregalar, pela direita, pela esquerda ou pelo centro; ora em passes a rasgar a estrutura defensiva adversária a solicitar desmarcações de laboratório; ora em lances de bola parada, que agora dão golo, ou muito perto disso. Sempre assim, 90 minutos assim…As oportunidades de golo sucederam-se a um ritmo alucinante. E os golos a metade desse ritmo: Grimaldo, Seferovic (duas vezes), João Félix, Pizzi, Ferro, na estreia a titular, Rúben Dias, Jonas (também por duas vezes), no regresso à equipa, e Rafa…

E aí está, a um ponto do primeiro lugar. Há um mês eram sete!

A reconquista de 2014 começou com onze Eusébios. A de 2019 arrancou com 10 Chalanas… Porque o Odysseas, que até garantiu o zero, não tem o número 1. Se o tivesse, o seu 1, como 0 que garantiu, também dava 10!

06
Fev19

A fasquia estava alta

Eduardo Louro

 

A grande expectativa para este primeiro jogo, na Luz, das meias-finais da Taça, não era tanto se o Benfica repetiria a grande exibição do passado domingo, em Alvalade. Era mesmo se o apelo de Jorge Andrade encontrava eco nos jogadores do Sporting.

Não foi preciso esperar muito. Logo que o árbitro Luís Godinho (mais, do mesmo) apitou para dar início ao jogo tivemos a resposta. As respostas, foram duas, de imediato. Primeiro, Gudelj e, logo a seguir, o regressado e talhado Ilori. À segunda o árbitro puxou do amarelo, parecendo avisado para o que poderia vir a passar-se. 

Pura ilusão. A partir daí, portanto durante todo o jogo, fizeram impunemente as faltas que quiseram sobre o miúdo. E a mão ficou leve para amarelos aos jogadores do Benfica... O ridículo bateu no teto com o amarelo ao João Félix ... por bater com a mão na bola. 

Quanto ao jogo ... Bom... o Benfica tinha deixado a fasquia muito alta. Seria difícil chegar lá perto, e o jogo foi francamente mais repartido. Especialmente na primeira parte. Mais dividido, porque, qualidade, só se viu no jogo do Benfica. Num jogo de qualidade bem inferior ao último, só o Benfica, a espaços, jogou futebol de qualidade. 

Na segunda parte o Benfica jogou muito mais. Chegou cedo ao 2-0, e sobraram oportunidades claríssimas para o terceiro. Esteve pelo menos por três vezes perto do 3-0.

Mas não marcou, e como não marcou, o treinador do Sporting resolveu apostar nos últimos 10 minutos à procura de alguma coisa que lhe abrisse perspectiva de um resultado que lhe deixasse viva a eliminatória. O jogo estava numa fase em que qualquer jogador do Sporting sabia que seria falta sempre que se mandasse para o chão. 

Numa dessas vezes, faltavam 8 minutos para o fim, o Bruno Fernandes protagonizou o único momento de verdadeira qualidade do Sporting em todo o jogo, e fez o golo. Foi uma grande execução, sem dúvida, mas o Svilar foi muito mal batido. Em vez de utilizar a barreira para esconder a baliza, utilizou-a para se esconder. Escondido atrás da barreira, não só deixou todo o lado direito da sua baliza escancarado, como nem viu a bola partir!  

O 2-1 volta a ser um resultado mentiroso. E, tendo em conta que se mantém a disparatada regra de os golos fora valerem a dobrar para efeitos de desempate, não é um grande resultado. Mesmo que já ninguém se lembre dele quando se jogar a segunda mão desta meia-final, será o que vai contar nessa altura.

Ah... E mais uma estreia. Bem vindo Ferro!

 

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