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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

20
Mai19

A fórmula do sucesso

Dylan

O 37º Campeonato Nacional de futebol conquistado pelo Benfica não é só mais um título, é uma equação matemática que envolve o nome de Bruno Lage e os adeptos, sócios e simpatizantes. O treinador trouxe uma lufada de ar fresco ao desporto com um discurso divertido e inovador, mostrando que existem coisas mais importantes na vida do que o futebol. Apostando em sangue jovem da "academia do Seixal", na "geração de 1999", faz a melhor segunda volta de sempre recuperando sete pontos ao anterior líder, alcança 16 pontos em 18 possíveis contra os três maiores candidatos ao título, realiza a oitava maior goleada de sempre do campeonato (10-0, ao Nacional) e executa o segundo número máximo de golos numa edição do campeonato (103 golos). A fórmula do sucesso ainda envolve as romarias históricas dos adeptos a Gaia, a Braga e a Vila do Conde, dando razão às palavras de Bélla Guttman que, um dia, disse que eles corriam até ao fim do Mundo atrás da equipa, fazendo frio ou calor, por terra, por mar ou pelo ar, entre as neves das serras ou no meio das chamas do inferno.  

14
Fev19

Miúdos com chama imensa

Eduardo Louro

Resultado de imagem para galatasaray benfica

O Benfica, este Benfica de Bruno Lage e dos miúdos, foi a Istambul buscar a primeira vitória em solo turco. Mas, mais do que isso, foi ao terreno do Galatasaray resgatar o prestígio perdido, e confirmar que nada do que se está a passar é fruto do acaso. 

Bruno Lage optou por deixar em Lisboa três jogadores nucleares da equipa: Grimaldo e Pizzi por óbvia sobrecarga de jogos, e Jonas porque a sua condição física tem que ser gerida com pinças. Já em Istambul optou ainda por poupar André Almeida, que tem participado em todos os jogos ao longo da época,  Rafa, que vem de uma lesão e que deve implicar cuidados, e Gabriel, sem tanta carga de jogos acumulada, mas em todos os últimos jogos desta nova era. 

No total, seis jogadores sairam da equipa, que apresentou outros tantos, seis, nada menos, miúdos do Seixal. Tudo isto no chamado inferno de Istambul, e perante um adversário recheado de jogadores de grande experiência e com nome no futebol mundial. É obra!

Bruno Lage conhece-os, sabe do que valem. E sabe que não o deixam ficar mal. E não deixaram. Os miúdos foram soberbos. Rúben Dias (já capitão), Ferro, Florentino, Gedson e João Félix jogaram como grandes craques, jogadores feitos. Yuri Ribeiro, o sexto, não atingiu esse patamar, mas não comprometeu. longe disso.

Entraram no jogo sabendo bem o que tinham a fazer, naquele ambiente meio fantástico, meio louco. Sem medo, e com a lição na ponta da língua. E tomaram conta do jogo, passando por cima do decisivo primeiro quarto de hora sempre por cima do jogo. Depois a equipa turca equilibrou e passou até por uma fase de alguma ascendência, definitivamente encerrada com o primeio golo do Benfica, num penalti convertido por Salvio, ia o jogo apenas no minuto 25. 

A partir daí, o Benfica controlou sempre o jogo, nunca tendo passado pelo sofrimento que praticamente todas as equipas passam naquele estádio. Iniciou a segunda parte a jogar o futebol de qualidade que tem apresentado, e foi contra a chamada corrente do jogo que, bem cedo, sofreu o golo do empate, mal sofrido, no seguimento de um lançamento lateral.

Nem mesmo chegando ao empate bem cedo, logo aos 10 minutos da segunda parte, e com o inigualável apoio do seu público, o Galatasaray conseguiu empurrar o Benfica para a sua área e limitar-lhe o alcance da sua qualidade de jogo. É certo que o Odysseas salvou o golo do empate, ao minuto 90, com uma defesa espectacular, mas o Benfica, antes e depois do golo da vitória, numa excelente finalização de Seferovic, criou sempre mais oportunidades. 

E, quando se esperava o assalto final da equipa turca, foi o Benfica a manter a bola e a fazê-la rodar pelos seus jogadores.

Não foi, nem com tantas alterações na equipa poderia ter sido, uma exibição fantástica, ao nível da elevada fasquia a que estamos habituados. Mas foi suficente para se superiorizar a um adversário que não é nenhuma pêra doce.

E suficiente para manter bem viva a chama imensa!

31
Jan19

Keizer que se cuide

Eduardo Louro

 

Capa Jornal A Bola

 

Às vezes cabe tanta coisa numa capa de jornal...

Em cima, à direita, Domingos Soares de Oliveira diz que Bruno Lage "é homem para ficar muitos anos". No lado inverso, em baixo, à esquerda, "Jorge Jesus rescinde com o AL Hilal". Com o "dragão a lamber as feridas", o Sporting parado no "sinal vermelho", e Bruno Lage bem seguro pelos adeptos, de repente o mundo ficou virado ao contrário. Keizer que se cuide...

19
Jan19

E no fim... uma delícia!

Eduardo Louro

V. Guimarães-Benfica, 0-1 (crónica)

 

Foi bem difícil este segundo jogo de Guimarães em três dias. Como se esperava mas, se calhar, diferente do que se esperava. Até porque o jogo foi completamente diferente do que selara a passagem do Benfica às meias-finais da Taça, há apenas três dias.

Ambas as equipas mudaram alguns jogadores, mas por razões perfeitamente inversas. O Vitória porque recuperou lesionados (André André) e castigados (Tozé), o Benfica porque perdeu, por lesão, Fejsa e, por castigo, Rúben Dias. Às balizas de ambas as equipas regressaram os habituais titulares no campeonato e, ao Benfica, regressou (?) Castillo, a preencher a quota de surpresas que Bruno Lage tem reservado para cada jogo, para o lugar de Seferovic. 

O Vitória apostou numa equipa mais subida e na dimensão física do jogo, muito forte nos duelos individuais e muita rasgada na disputa de todas as bolas. E com isso criou bastantes dificuldades ao Benfica durante muitas partes do jogo, especialmente na segunda parte. Mesmo assim, e passados os primeiros dez minutos, na primeira parte o Benfica foi quase sempre melhor, com mais bola e mais remates, sete contra quatro, mesmo sem grandes oportunidades claras de golo.

Na segunda parte o Vitória reforçou a agressividade e a pressão alta, e na verdade esteve mais por cima do jogo. Essa dinâmica entusiasmou os jogadores vitorianos, e criou-lhes a sensação de que poderiam ganhar o jogo. Acabaria por lhes ser fatal. Bruno Lage mexeu bem na equipa, lançando Seferovic e o regressado Rafa, e começou a aproveitar o espaço que a equipa vimaranense deixava nas costas da sua defesa, virando decisivamente os dados do jogo.

Quando aos 80 minutos Seferovic fez o golo, numa belíssima jogada de futebol que passou por um passe sensacional de Gabriel, já o Benfica tinha deixado sérios avisos do que estava para vir, incluindo duas jogadas de golo erradamente anuladas pela equipa de arbitragem por foras de jogo inexistentes. O Vitória sentiu o golo e, em vez de uma equipa de futebol, pouco mais foi que onze jogadores de cabeça perdida. Onze, porque o árbitro Tiago Martins, também ele, e apesar da juventude, um velho conhecido, permitiu que André André permanecesse em campo depois de, consecutivamente, na mesma jogada, completamente de cabeça perdida, se ter aplicado os pitons nos pés e nas pernas de João Felix e André Almeida. Foi ao minuto 84, e se na primeira entrada sobre o miúdo nada assinalou quando, no segundo seguinte, atingiu André Almeida, mostrou amarelo a ambos!

Teve que ser Luís Castro a fazer o que Tiago Martins devia ter feito, tirando-o do jogo logo a seguir. Mas fazendo entrar outro, naturalmente.

Fica mais uma vitória a alimentar a crença, e a certeza que há treinador. Esta é uma vitória com muito dedo de Bruno Lage. Na estratégia (Castillo não decidiu, mas cumpriu com as tarefas que lhe destinou), na forma como especialmente Gabriel, mas também Samaris, foram importantes no jogo, na forma como corrigiu os jogadores ao longo do jogo e, finalmente, nas substituições. Decisivas!

E, depois, no fim, é uma delícia ouvi-lo falar do jogo. Sem rodriguinhos nem frases feitas, apenas a explicar aquilo que aconteceu. E o que todos vimos!

12
Jan19

Estranho, só o resultado...

Eduardo Louro

 

No segundo jogo da era Bruno Lage - durante quanto mais tempo os jornalistas continuarão a perguntar-lhe se é o último jogo? - os jogadores do Benfica voltaram a mostrar como Rui Vitória tinha chegado ao fim da linha.

Depois da surpresa do afastamento de Ferreyra do lote dos convocados, o novo treinador do Benfica guardava mais uma supresa para o onze inicial, com duas alterações em relação ao jogo do passado domingo, com o Rio Ave, saindo os dois alas argentinos - Cervi e Salvio - e entrando, sem surpresa, Zivkovic e, surpreendentemente, o brasileiro Gabriel. Que conseguiu aproveitar para, finalmente, apresentar alguma coisa que justificasse a contratação!

Viu-se que os jogadores estão mais bem distribuídos em campo, e confirmou-se a pressão alta e a intensidade posta na disputa da bola. Para isso, Gabriel contou. E muito. E contou Fejsa, finalmente a abandonar a cadeira lá atrás, onde passava os jogos sentado, e a subir à grande área adversária para aí entrar nas tarefas de recuperação da bola.

Bastou isto, e Zivkovic e Pizzi nas alas, para que a equipa passasse a ter jogo interior, deixasse de chutar a bola para a frente e deixasse de passar por sobressaltos, como sempre passava contra este tipo de adversários. Depois, para o resto,  lá estão João Felix, Grimaldo e Seferovic.

Hoje em Ponta Delgada foi de tal forma assim, foi de tal forma gritante a superioridade do Benfica, que a única coisa que se não percebe é o resultado. É inacreditável como um jogo destes acaba com um simples 2-0!

O Benfica criou bem mais de uma dezena de oportunidades de golo, daquelas em que simplesmente a bola não quer entrar. Todas através de jogadas de encher o olho, que bem podiam caber em números de Circo.

Mas não se pode dizer que o Benfica tenha feito uma grande exibição, sem ponta de mácula. É bom que os jogadores percebam isso, e vão perceber. Percebemos que o Bruno Lage percebeu isso bem, e não vai deixar de lhes explicar que o circo não é actividade de estádio, normalmente decorre numa tenda. 

Se em vez do espectáculo de circo, na segunda parte os jogadores se tivessem dedicado apenas ao futebol, tinham feito uma grande exibição e teriam saído dos Açores com um resultado que constiuiria um recorde imbatível!

 

06
Jan19

Sinais de vida nova num grande jogo de futebol

Eduardo Louro

Bruno Lage:

 

Era grande a expectativa para este primeiro jogo pós Rui Vitória, na primeira apresentação de Bruno Lage. A convocatória tinha revelado algumas surpresas, o que aumentava as expectativas sobre as opções de Bruno Lage para o onze inicial.

Com poucas surpresas, no entanto. Com Jonas castigado, teria de entrar Seferovic, mesmo com Ferreyra e Castillo na convocatória. Gedson, muito mal nos últimos jogos, também não foi surpresa que ficasse de fora, ao contrário do que aconteceu com Zivkovic, substituído pelo inconsequente Salvio. 

Novidade, talvez nem tanto surpreza, foi o 4-4-2, que levou João Félix para a sua posição natural pela primeira vez, ao lado de Seferovic. Que grande exibição fizeram ambos! Repartiram os quatro golos da equipa, todos de grande qualidade, mas fizeram muito mais.

Quando o árbitro Luís Godinho - de muito pouca qualidade e especialmente vocacionado para fazer maldades ao Benfica, vocação que voltaria a confirmar - apitou para iniciar a partida percebeu-se logo que o Rio Ave, também a estrear treinador (Daniel Ramos), vinha disposto a dar sequência ao bom futebol que tem apresentado, jogando com a qualidade que se lhe vira em Braga e no Dragão - onde, então com o José Gomes no banco, foram melhores que os adversários - mas com mais intensidade e maior agressividade na disputa da bola.

O Benfica também entrava muito melhor, especialmente na intensidade que colocava no jogo e na entrega dos jogadores. Estava até a fazer algo que há muito não se via, pressionando alto e sufocando o adversário quando, à entrada para o segundo quarto de hora, ao primeiro remate, o Rio Ave chegou ao golo.

O Benfica sentiu o golo, perdeu o tino e, ao segundo remate, 3 minutos depois, o Rio Ave fez o segundo golo, gelando os 50 mil que estavam na Luz. Curiosamente pareceu que a equipa sentiu mais o primeiro que o segundo golo. Este foi apenas o toque a reunir!

Se em três minutos sofreu dois golos, em quatro marcou outros tantos, e à entrada do último quarto de hora da primeira parte o jogo ficava empatado, e o público da Luz ao lado da equipa.

A segunda parte arranca com uma jogada sensacional de Grimaldo que passou em drible por cinco jogadores do Rio Ave dentro da área, acabando com o poste a cometer um crime de lesa futebol. Depois seguiu-se um período em que o Rio Ave parecia querer adormecer o jogo, para melhor surpreender o Benfica. Mas foi sol de pouca dura, com o terceiro golo do Benfica (João Félix) depressa voltaram a acelerar... E nem o quarto lhes tirou o ânimo e a vontade de discutir o jogo palmo a palmo.

No fim ficou um grande jogo de futebol, com muita qualidade, emoção e golos. E duas certezas: uma é que os jogadores não estavam, de todo, com Rui Vitória. A outra é que é urgente trabalhar a forma como a equipa (não) defende. É por demais - e há muito - evidente que o Benfica não sabe defender. Hoje, muita coisa mudou só porque mudou o treinador. Mas a equipa não passa a defender bem só porque mudou o treinador!

Para Bruno Lage, só isto: que saudades eu tinha de ouvir um treinador do Benfica a saber o que está e o que tem a dizer! 

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