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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

20
Nov13

Um fado com final feliz

Eduardo Louro

 

 

A selecção nacional está apurada para o Brasil. Tarde, mais tarde do que a sua valia colectiva merecia, mas dentro daquilo que é o nosso fado. Um fado onde cabem velhas crenças, mas também velhas estórias. Uma delas é a do cântaro, da fonte, e da asa que alguma vez lá haverá de ficar…

Não foi ainda desta vez que lá ficou. Não poderia mesmo ser desta vez: porque não há asa que se quebre quando no cântaro está um génio; e porque a selecção da Suécia vale bem menos do que o que se anunciava, e bem menos do que se temia.

No cântaro, como se fosse lâmpada, estava o génio de Cristiano Ronaldo. Que fez, de longe, o melhor jogo de sempre pela selecção nacional e certamente um dos melhores jogos da sua já longa e sempre brilhante carreira. Hoje em dia só não é o melhor do mundo porque não é deste mundo!

Defendi frequentemente no passado que Cristiano Ronaldo era o melhor jogador do mundo. Que Messi não era deste mundo, e não era por isso comparável. Hoje é claramente o português que não é deste mundo, e é injusta para Messi e Ribery a discussão que por aí corre, como desigual e injusto foi o duelo para que convocaram Ibrahimovic, apesar da forma digna e capaz com que hoje, na segunda parte, se apresentou. A mostrar claramente que a selecção sueca é ele próprio, que para além dele é o deserto.

Por isso se percebeu hoje que o jogo retraído e ultra defensivo de Lisboa não fora estratégia. Que é mesmo assim, que pura e simplesmente a selecção sueca não tem mais (futebol) para dar.

É certo que chegou a assustar, quando a vinte minutos do fim estava a um golo do apuramento e galvanizada pela reviravolta no resultado. Sol de pouca dura, porque neste jogo de grande emoção e muito bem disputado, a selecção nacional foi tudo o que foi nesta fase de apuramento. E sendo tudo isso, já fora até aquela altura tudo o que de mau tinha sido!

A selecção nacional parece ter querido fazer deste decisivo jogo do play-off um espelho do seu desempenho durante o torneio de apuramento. Começou o jogo com a displicência e a falta de dinâmica dos jogos em casa com a Irlanda e com Israel, numa apatia confrangedora que aquele episódio de Pepe parado, com a bola também parada durante largos segundos, tão bem ilustra. Depois de perceber que o adversário estava ali apenas para defender, passou a jogar à bola e a dominar de forma inconsequente o jogo, como fizera em Moscovo, no único jogo que perdeu. No início da segunda parte fez o golo e logo se acomodou, como fizera nos jogos com Israel, com idêntico resultado. Viu-se de repente na eminência de perder o apuramento, com toda a pressão do jogo. E aí, quando tudo aperta, ressurgiu no seu maior esplendor. E não foi só com Cristiano Ronaldo, embora tenha sido ele o comandante. Foi com muitos outros e com muito Moutinho...

Gostamos disto. Gostamos de sofrer até ao fim, achamos que a vitória assim tem mais sabor. Não é estratégia, não é o nosso modelo, a nossa maneira de fazer as coisas. É o nosso fado!

26
Mar13

O outro défice

Eduardo Louro

 

turma de Paulo Bento lá regressou às vitórias, depois de cinco jogos sem lhe tomar o gosto. Foi no distante Azerbaijão, em Baku perante a sua bem fraquinha selecção nacional.

A exibição do seleccionado português foi também ela fraquinha, na linha daquilo que se tem vindo a ver. Não atingiu a displicência do último jogo em Israel, mas confirmou, perante uma equipa do mais baixo escalão europeu, que não tem categoria para estar entre os melhores. Como ainda ontem, frente ao Brasil, em Londres, a selecção russa deixara bem claro!

Sem Cristiano Ronaldo, castigado por ter visto o segundo amarelo na passada sexta-feira em Telaviv, e sem Nani, lesionado, que também já falhara o último jogo, Paulo Bento manteve o sistema e apostou na novidade Vieirinha e no regressado Danny para as alas. Com resultados distintos: Vieirinha, pela direita, foi sempre um ala activo e dinâmico, e foi mesmo o melhor jogador da equipa; o Danny não é um ala, e não rende nessa posição, como está mais que demonstrado – a bola fica-lhe sempre para trás, ele não corre com a bola é a bola que corre com ele – e foge sistematicamente para o meio, que é o seu habitat natural. Como, não se percebendo bem porquê, Fábio Coentrão durante grande parte do tempo não subiu, a equipa nacional, como se não bastassem todas as grandes limitações, ficou desasada, sem asa esquerda.

As substituições – Danny por Varela, esse sim, apesar de pouco menos que desastrado, um ala, e Raúl Meireles (mais um jogo nulo) por Hugo Almeida - efectuadas já depois da hora de jogo e quando o adversário jogava com menos um, deram à equipa ala esquerda que não tinha, com o Coentrão finalmente a subir e a criar desequilíbrios, e um jogador de área: o Hugo Almeida – é certo – mas sempre é melhor que nada. Nada, justamente o que é Postiga. Como Meireles e Veloso, que continuou em campo sem que ninguém - nem mesmo ele - soubesse muito bem para quê.

Claro que, ganhar, especialmente quando já ninguém se lembrava muito bem do que isso era, é bom. Foi por dois, com um mínimo de competência teria sido por quatro ou cinco, mas é uma vitória que não esconde nada. Está tudo bem à vista!

Conseguindo, primeiro segurar e depois melhorar o segundo lugar – este ainda é o pior de todos os segundos - é a vez de começar a olhar para o que se passa nessa segunda posição de cada grupo. E então encontramos motivos suficientes para nos assustarmos com outro défice: o de categoria na equipa de Paulo Bento!

Se um nos empurra para fora do euro este pode barrar-nos a entrada do mundial. Está difícil, isto de vistos para o Brasil...

12
Out12

CONTRATEMPO A CAMINHO DO BRASIL

Eduardo Louro

 

A selecção nacional poderá ter hoje complicado as contas do apuramento para o Mundial 2014. Ao perder na Rússia (0-1), com o adversário directo que tem marcado mais golos e que continua sem os sofrer, a selecção nacional começou a estreitar o caminho para o Brasil, que ameaça tornar-se mais apertado e difícil do que aquele que Pedro Álvares Cabral fez há 512 anos.

A equipa nacional não justificou no campo – um sintético a que os comentadores da RTP insistiram em chamar relvado – o estatuto de terceira selecção mundial que, sem que se perceba porquê, a FIFA lhe atribui. Dominou nas diversas variáveis estatísticas do jogo, com uma posse de bola à Barcelona (78%), mas em poucas ocasiões foi verdadeiramente superior ao adversário: uma Rússia muito italiana, que nada tem a ver com aquela equipa excitante – mas desequilibrada - que há pouco mais de três meses esteve no campeonato da Europa. É a diferença entre um Fábio Capello, velha raposa, e um Dick Advocaat à Jorge Jesus!

É certo que as coisas não correram de feição. Um golo sofrido logo no início, consequência do primeiro de muitos erros de Ruben Micael, e a lesão de Coentrão, revelaram-se decisivos. Até porque se a lesão de Meireles – substituído pelo desastrado Micael – já fora penalizadora, a de Coentrão, logo no início do jogo, foi-o ainda mais, com o Miguel Lopes a revelar-se uma completa nulidade a atacar e um susto permanente a defender. E com as substituições a não resultarem: o Varela, que habitualmente entra bem e muitas vezes até resolve, nunca se entendeu nem com o jogo nem com o resto da equipa, o Nani também não resultou no meio e o Ederzito será certamente uma história bonita, mas daí até ser jogador de selecção…

Cristiano Ronaldo, já se sabe, nunca será o mesmo do Real Madrid. Hoje teria sido necessário que andasse por lá perto, mas continuou bem longe. O Rui Patrício continua a complicar sempre que a bola lhe chega aos pés: hoje foi demais. Contribuiu para intranquilizar a equipa e reduziu-lhe, em muito, as opções. Muitas foram as ocasiões em que, passando a melhor opção por fazer a bola chegar ao guarda-redes, alguns jogadores – especialmente Pepe - evitaram atrasá-la, sentindo-se obrigados a abdicar desse instrumento, perdendo tempo ou perdendo a bola.

Ficou sempre a ideia que era jogo, se não de ganhar, pelo menos de não perder. Mas, bem vistas as coisas, a estratégia italiana agora ao serviço de uma selecção russa recheada de bons jogadores, foi sempre suficiente para controlar o jogo. Até parecia que eram os italianos – perdão, os russos – a alimentar a ideia de que o golo acabaria por surgir, como que a dizerem aos jogadores portugueses: vá lá, não ponham muita intensidade nisto porque não vale a pena. Está-se mesmo a ver que é uma questão de tempo, mais minuto menos minuto vocês vão marcar o golito que nos deixa, a todos, contentes!

Que manhosos...

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