Parasitismo profissional

Depois dos participantes em "Reality Shows", existe outra profissão emergente que pode criar grandes oportunidades de parasitismo social. Ser líder de uma claque de futebol é um bom partido e pode permitir ter a casa dos teus sonhos bem como automóveis de luxo. Se fores poupado, podes ter um cofre cheio de dinheiro em casa, no sofá, atrás da TV, e mais tarde fazer parte do "Jet Set" do desporto nacional. Um aluno aplicado como tu facilmente conclui uma licenciatura e atinge o grau de mestre com direito a escrever as suas façanhas num livro. Serás convidado a conciliar o teu cargo com o do chefe da claque da Selecção Nacional e o teu bom exemplo permitirá dar palestras sobre o combate à violência no desporto. Não percas mais tempo, vais ser um líder, viajar de borla pelo país, pela Europa e atrair outros super parasitas que também querem revender bilhetes para os jogos.

Não está em causa a justa vitória do FC Porto no último clássico frente ao Benfica, mas o recente jogo entre estas equipas fez-me regressar ao passado, à década de noventa. Não houve guarda Abel mas houve Paulinho Santos a partir dentes e maxilares, não houve creolina no balneário mas houve a intimidação habitual: arremesso de bolas de golfe para o relvado, foguetes lançados na noite anterior junto ao Hotel onde pernoitava o Benfica, vandalização das suas casas e uma novidade este ano - bonecos insufláveis equipados de vermelho "enforcados" às portas do estádio. No filme habitual não falta o protagonista principal, o árbitro medroso e condicionado por um clima de ódio que vem das bancadas. Isto é uma guerra incentivada por dirigentes, malfeitores, grunhos, parasitas e fanáticos que vai acabar mal, pois ninguém sabe para que serve a “Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto”, recentemente criada pelo Governo e que prometia segurança, valores éticos, respeito e tolerância. 



