Pais disciplinadores da arbitragem

Antigamente, os árbitros fugiam dos jogadores do FCP, exemplo dado por José Pratas a correr em pânico perseguido por uma série de atletas "azuis e brancos", numa finalíssima da Supertaça, em 1991/1992. Depois, viajaram para o Brasil, como foi o caso de Carlos Calheiros, com a factura a ser debitada pela agência ao FCP, por engano. Mais tarde, passaram a ser recebidos em casa do antigo presidente do FCP, no célebre encontro com o árbitro Augusto Duarte, num dos factos confirmados no caso "Apito Dourado". Agora, usam métodos mais "nobres", talvez por o actual presidente do FCP ser aristocrata, colocando uma televisão no balnerário da equipa de arbitragem a transmitir, de forma repetida e contínua, lances polémicos, numa espécie de pais disciplinadores da arbitragem, de forma a constrangir o juiz da partida. Não deixa de ser irónico o facto da televisão não poder ser desligada, quando sabemos que existe uma tomada eléctrica no Estádio do Dragão que costuma estar sem corrente para o sistema de videoarbitragem (VAR), o que prolonga os jogos para lá dos 90, até aos 22 minutos de tempo extra, como aconteceu no jogo contra o Arouca, em 2023.





A sentença de um tribunal em condenar o Porto a indemnizar o Benfica em dois milhões devido à divulgação de correspondência privada, criou um coro de indignados. Os Lesados das Antas sentem-se enganados, afinal aquele papel comercial vendido ao balcão do Porto Canal foi deturpado, nomeadamente com expressões cortadas para alterar o sentido do texto, passando uma mensagem manipulada. Mas não foi por falta de aviso visto a supervisão da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) ter alertado há um ano para a conduta desta espécie de Pravda televisivo, considerando que a divulgação de emails não tinha qualquer propósito de informar porque "ignora as elementares exigências aplicáveis à actividade jornalística". Os produtos foram vendidos pelo departamento de comunicação como sendo verdadeiros, publicitados por um famoso pirata informático e subscritos pelos comentadores dos programas desportivos nacionais, embora houvesse riscos tóxicos pois as obrigações traziam acesso a planos de treino, contratos comerciais e informações clínicas do Benfica. O fundo dos lesados brevemente terá mais aderentes, nomeadamente órgãos de comunicação social, para a compensação da suas perdas de credibilidade junto da opinião pública desde há dois anos a esta parte. 

