O ópio do povo

Já era hora deste plano de desconfinamento ser aplicado mas não deixa de causar uma certa perplexidade o facto do futebol regressar no fim do mês, ainda para mais depois do cancelamento da Segunda Liga e das principais modalidades de pavilhão. O governo desconfina, o cidadão desconfia por pedirem para andar de máscara, para manter o distanciamento social de forma a reduzir a transmissão do coronavírus mas não compreende como se vai conseguir manter uma distância relativamente ao adversário no pontapé da bola. Enquanto vários eventos desportivos têm sido anulados por toda a Europa, os cientistas nacionais de bancada descobriram que o ópio do povo, o futebol, tem capacidade para purificar a saúde pública e eliminar este maldito vírus, mesmo pondo em risco a integridade física de todos os intervenientes deste espectáculo.

A decisão do presidente do Sporting em acabar com os apoios às claques do clube é um acto de coragem, farto de tanto parasitismo e intimidação. Algumas claques de futebol deixaram de ser um grupo de adeptos que apoia e acompanha a equipa para se tornarem numa seita de malfeitores pronta a obter proveitos financeiros do clube, onde o estilo de vida dos seus líderes não corresponde aos rendimentos declarados. Somente uma pequena parte dos seus elementos têm registo obrigatório, e apesar de ser sobejamente conhecida as suas actividades criminosas, têm prioridade sobre os outros sócios e adeptos em relação ao preço dos bilhetes para os jogos. Eu não sei se as claques deviam ser extintas, sei que o futebol já existia e era mais puro antes destes bandos de mostrengos aparecerem. 





