Fica o apelo
Pelo que se entende a pandemia do Covi-19 deve ter acabado. Eu acho que não, mas parece que no futebol português a questão está resolvida.
Depois de meses de acalmia e até de união, os chamados grande foram juntos falar com António Costa, vemos hoje que tudo foi fogo de palha. Vemos hoje que tudo não passou da conjuntura e que não aprenderam nada.
Hoje vemos que os dirigentes em geral não aprenderam nada. Hoje vemos que não se aprendeu nada.
Confesso-me ingénuo. Achava que após esta pandemia o futebol regressaria diferente. Sim, ingénuo eu acreditava na união. Acreditava que o futebol voltaria a ser só futebol.
Como estava eu errado e muito.
O futebol fora do relvado regressou. Regressou com lutas e mais lutas. O futebol regressou ainda mais sujo. O futebol regressou em todo o seu esplendor negro.
Sinceramente dá vontade de esquecer este desporto dito rei, coitado do monarca, que muitas vezes é mais indigente.
Tristes Vieiras, Salvadores, Pintos, Varandas e espécies iguais.
Fica o apelo: vão andando, deixem a bola rolar livre e o futebol ser apenas um desporto.
Quando se fala na possibilidade de descer o IVA sobre a electricidade encolhendo assim a factura mensal da luz para particulares e empresas, surge a anedótica notícia de que o Presidente da Liga de Futebol pressionou o Governo para também reduzir o IVA sobre o preço dos bilhetes dos jogos à taxa mínima. Somos os campeões da electricidade e do gás mais caros da Europa em termos de poder de compra das famílias, mas esta gente está mais preocupada com os estádios vazios construídos com os milhões do erário público em 2004 e a compararem-se com os organizadores de espectáculos como o canto, dança, música, teatro, cinema e circo. Com as cenas ridículas que vemos nos inúteis programas desportivos, com o clima de guerrilha em volta dos relvados, com o parasitismo e intimidação das claques, com transferências e ordenados pornográficos do futebol, com clubes tecnicamente falidos, nós é que devíamos estar isentos de aturar estes emplastros da bola.

