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Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

Dia de Clássico

Visto da bancada Sul

02
Fev15

Comunicação por encomenda

Eduardo Louro

 

Uma das variantes por que a máquina portista – a célebre estrutura – é exaltada é pela comunicação. Desde o célebre e já decadente sarcasmo e a velha ironia dita arguta de Pinto da Costa, passando pelas mais variadas formas de pressão sobre a comunicação social, incluindo a agressão física, pela gestão dos tempos de comunicação, incluindo os famosos blackouts, até á distribuição e ocupação dos espaço mediático da opinião e do comentário.

Peça chave no processo é o famigerado Director de Comunicação, Rui Cerqueira, que é uma espécie de pau para toda a obra. Dá para tudo e presta-se a tudo, como se tem visto…

A conferência de imprensa de Lopetegui – a peça nova da máquina que chega a meter dó – no final do jogo de ontem com o Paços Ferreira veio mais uma vez mostrar como, por ali, se fazem as coisas. Não há limites e é pouco menos que assustador!

Tive o azar de a seguir através da RTP Informação que, espanto dos espantos, a transmitiu via Porto Canal. Exactamente, no canto superior do ecrã lá estava a identificação da estação que sem que o seja é o canal do clube – ou que nuns momentos é e noutros deixa de ser – e no rodapé lá informava da “transmissão em simultâneo com o Porto Canal”. Mas isso foi apenas o início do susto. Depois, deu para ver que o tal Rui Cerqueira chamava pelo nome próprio cada um dos interpelantes que, convidados dessa forma a colocar a sua questão, não precisavam de se identificar, ao contrário do é norma e uso em qualquer outro lado. E depois lá surgiam as pertinentes e objectivas questões dos jornalistas convidados. Perguntas - que não são perguntas - ora laudatórias ora encomendadas para respostas preparadas e postas na ponta da língua do treinador no papel de mete dó. Para não dizer outra coisa…

Se a pergunta – que não era pergunta – sobre o treinador que disse que os adversários têm de olhar para cima, para que fosse buscar as competições europeias, e o afastamento do Benfica, ainda tem alguma ponta por onde se pegue, já a pergunta – que não era pergunta – de um tal Miguel sobre uma antiga afirmação do treinador Manuel José, na qualidade de comentador, é verdadeiramente emblemática.

Há tempos, a propósito do plantel do Porto, o Manuel José disse que no ano passado, ao Paulo Fonseca tinha sido dado carapau e, este ano, ao Lopetegui tinha sido dada lagosta. Mais de três meses depois, o director de comunicação do Porto achou que devia encomendar esta pergunta para pôr Lopetegui, depois de trocar carapaus por tremoços, a bater no treinador agora comentador, falando de um campeonato, em 1995, em que Manuel José teria ficado a 25 pontos do Porto…

 

17
Jan15

Tudo com dantes... E o quartel general?

Eduardo Louro

 

Com a desvantagem de 6 pontos para o Benfica a manterem-se teimosamente desde que, há 4 jornadas atrás, os campeões nacionais foram ganhar categoricamente ao Dragão, o Porto decidiu fazer ressuscitar Pedroto e renascer Pinto da Costa. 

Pretendendo fazer ignorar que esses seis pontos de diferença se devem à claríssima vitória do Benfica no Dragão, que não fosse esse resultado e ambos estariam com os mesmíssimos pontos, na contingência de não conseguir por si só evitar o bi-campeonato do rival, a estrutura do Porto volta-se para os jogos de bastidores da arbitragem, donde verdadeiramente nunca saiu. Tudo como dantes... 

O aniversário do falecimento de Pedroto, o mentor da estratégia, já lá vão quase 40 anos, e o regresso de um dos seus agentes comunicacionais a um programa televisivo ao serviço da causa, foram a alavanca deste regresso em força aos velhos métodos. Lopetegui, que tanto demorou a entender o futebol de cá, e que tanto tempo perdeu em experiências com  jogadores que tinha obrigação de conhecer bem foi, desta vez, muito rápido a perceber a coisa. Não diz palavra (em) que não (se) meta árbitros!

Há quatro anos atrás, a última vez que o bi-campeonato poderia ser hipótese, trataram de tudo logo no início, e á quarta jornada já levavam 9 pontos de vantagem... No ano seguinte deixaram para mais tarde, e a coisa começou a dar resultados em Coimbra, com Carlos Xistra - justamente o árbitro para este jogo do Benfica no Funchal, o último da primeira volta - para acabar em beleza com o inevitável Pedro Proença no jogo do título, na Luz. E há dois anos foi já mesmo no fim, com Paulo Batista - por mera coincidência o árbitro do penúltimo jogo, em Penafiel (e, já agora, Rui Costa, do Porto, foi o árbitro escolhido para o último jogo, com o Guimarães). No ano passado aquilo foi tudo tão mau que não havia nada a fazer!

Com o campeonato a virar para a segunda volta e com o calendário do Benfica a apertar, numa sequência que começou em Penafiel para prosseguir, na Luz, com o terceiro classificado, na Madeira, com o Marítimo, em Paços de Ferreira e com Alvalade já aí, quando o Benfica exibe níveis exibicionais e de confiança em ascensão, este é o momento escolhido para este ano. 

Faixas, atrasos a ocupar as bancadas, repetir incessantemente benefícios alheios e prejuízos próprios em jornais e televisões até que passem a verdades, tudo vale para condicionar arbitragens e respectivas nomeações. Nada portanto de novo nesta estratégia portista. Sempre assim foi, quando não foi muito pior, como todos nos lembramos e o "apito dourado" haverá de guardar para a posteridade.

Poderia até pensar-se que entretanto muita coisa mudou, que a máquina portista está velha e gasta, e que no quartel general há gente séria, sem medo e imune a pressões. Mas aí está Carlos Xistra, já amanhã...  Com quem o Benfica, sempre com erros grosseiros, conquistou apenas 17 pontos (perdeu 10) nos 9 jogos que disputou, e com quem o Porto conquistou 36 nos (perdeu 6) nos 14 jogos que lhe arbitrou ...

E Artur Soares Dias em Penafiel, onde o emprestado Quiñones não jogará. Sem ponta de polémica, evidentemente... 

24
Set13

A máquina e os pormenores

Eduardo Louro

Ninguém tem dúvidas da capacidade da máquina portista. Está sempre de motores aquecidos, em alto regime, prontos a arrancar a alta rotação em qualquer emergência. Estamos habituados a vê-la responder com a eficácia de um potente motor de alta cilindrada e maior potência e binário!

Mas está a perder qualidades. Provavelmente, de tanto ganhar, relaxou!

Percebeu-se isso logo no descuido do Paulo Fonseca. Descuidou-se e a coisa saiu mal, como sucede com aqueles carros que aceleram, aceleram, roncando imponência por todas as saídas de escape e depois, logo que cai o verde, oops…Engasgam. Sai pífia!

Ainda meio surpreendida meio envergonhada por esta pífia, a máquina logo quis remediar o fracasso e dar novo sinal de pujança e imponência. Num ápice uniu numa só voz todos os comentadores espalhados pelos quatro cantos do mundo do espectáculo da bola falada: o tal tipo da Associação de Futebol de Lisboa (AFL) é um energúmeno racista, como se provava pela sua página do facebook, logo disponível, on line, nos seus telemóveis!

A coisa até que poderia ter pernas para andar. Sem mais, sem outros pormenores, aqueles telemóveis apontados às câmaras, até poderiam ser capazes de levar as pessoas a crer naquilo que eles queriam que fosse visto. É aí que o motor engasga outra vez: levado pelo excesso de entusiasmo – há sempre um pouco de Jesus por trás do mais frio maquinista – um deles consegue dizer que, no festejo de punho cerrado do golo estorilista, o homem da AFL enfiou um caseiro no olho do Adelino Caldeira, sentado na fila de trás.

E pronto. Estragou tudo… Naquele momento toda a gente percebeu que era mais fácil forjar uma página de facebook do que transformar um punho cerrado de comemoração de um golo num gancho (in)directo de mais de 180 graus!

Depois disto, tudo o resto são meros pormenores. É um pormenor que estes súbitos paladinos do fair play, da moral e da ética protegessem da denúncia pública, durante mais de dois anos, um energúmeno e um racista destes. É um pormenor que estivessem à espera de mais este episódio para, de repente, se lembrarem que há uma queixa para apresentar à UEFA. Onde, consta, a sua fama já vem de longe!

 

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