O sósia
No início de época, o Benfica foi buscar o sósia de Jorge Jesus ao Brasil, só assim se explica que alguém muito parecido consiga, ao fim da primeira volta do campeonato, ter colocado o clube no quarto lugar e a 11 pontos da liderança, algo que não acontecia há 20 anos. Os apóstolos são fracos, os milagres acabaram, o aparente messias já não berra com os vendilhões do clube, não cura os enfermos do plantel e nem mesmo com a ausência temporária de Jesus o Deus pai salva esta equipa. Apesar de ter expiado alguns pecados da nação benfiquista o futuro é negro, sendo hora desta cópia ascender a outros céus que não passam pela Luz pois há muito tempo que se perdeu a fé em algum título.



Não está em causa a justa vitória do FC Porto no último clássico frente ao Benfica, mas o recente jogo entre estas equipas fez-me regressar ao passado, à década de noventa. Não houve guarda Abel mas houve Paulinho Santos a partir dentes e maxilares, não houve creolina no balneário mas houve a intimidação habitual: arremesso de bolas de golfe para o relvado, foguetes lançados na noite anterior junto ao Hotel onde pernoitava o Benfica, vandalização das suas casas e uma novidade este ano - bonecos insufláveis equipados de vermelho "enforcados" às portas do estádio. No filme habitual não falta o protagonista principal, o árbitro medroso e condicionado por um clima de ódio que vem das bancadas. Isto é uma guerra incentivada por dirigentes, malfeitores, grunhos, parasitas e fanáticos que vai acabar mal, pois ninguém sabe para que serve a “Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto”, recentemente criada pelo Governo e que prometia segurança, valores éticos, respeito e tolerância. 



